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Edição 33 - Agosto/11

Edição Nº. 33 - Agosto/11

Nesta seção, são publicadas mensagens que se destacaram nos grupos Comunidade TQS e Calculistas-Ba ao longo dos últimos meses.

Para efetuar sua inscrição e fazer parte dos grupos, basta acessar http://br.groups.yahoo.com/, criar um ID no Yahoo, utilizar o mecanismo de busca com as palavras “Calculistas-ba” e “ComunidadeTQS” solicitando sua inscrição nos mesmos.


Rotação de pilar

Caros colegas,
Como fazer no TQS para que um pilar gire 90 graus em relação ao seu eixo de um pavimento para o outro?
Abraços,
Eng. Marco Tâmega, Campos dos Goytacazes, RJ


Caro Marco Tâmega,
Em primeiro lugar, é importante você tentar não girar o pilar no eixo, pois não é uma situação usual de projeto e poderia causar problemas para os menos avisados. Também é um problema construtivo adicional. É um ponto critico na execução da estrutura que, se possível, deve ser evitado. Ë necessário, neste sentido, fazer ver ao contratante o problema de projeto a ser enfrentado e esclarecê-lo quanto aos riscos construtivos decorrentes.

No entanto, se este é o único caminho a ser seguido, voltemos ao nosso TQS. Insira uma mudança de seção no pavimento onde se deseja fazer a rotação do pilar, deixe o tramo inferior com a seção original e o tramo superior com a seção rotacionada. O sistema gerará um pórtico em que as barras terão a seção de acordo com o lançamento do modelo estrutural. Os esforços gerados no pórtico levarão em conta a inércia dos pilares lançados no modelo, inclusive no trecho onde há a rotação do pilar. Importante, neste interim, é observar com profundidade o modelo gerado na região da rotação de seção do pilar e validar os esforços calculados pelo pórtico.

Estes esforços servirão de base para o dimensionamento do pilar que será adequadamente armado pelo TQS, com alguma edição ainda a ser feita. Resta-nos o cálculo e a armação para os esforços gerados pelas forças de fendilhamento. Eu utilizo geralmento um bloco neste nó, com altura ao menos igual ao ‘balanço’ formado pelo pilar na rotação, onde insiro estas armaduras necessárias. Também é necessário checar, e reforçar se necessário, a seção comum dos pilares rotacionados. Conheço pouca bibliografia sobre o asunto, mas a que eu uso faz parte (exemplo 129) da coletânea ‘Fissuração - Casos Reais’ do Prof. Eduardo Thomaz, encontradas no site http://www.ime.eb.br/~webde2/prof/ethomaz/fissuracao/sld001.html. Vale a pena baixar toda a coletânea.

Lembre-se de que, se não tens experiência neste caso, deves ir devagar e procurar o auxilio de colegas com mais tempo de estrada para galgar mais este patamar da sua vida profissional com segurança.
Abraços,
Eng. Edward Uchôa, Maceió, AL


Marco,
Sugiro que você leia e releia muito atentamente essa resposta do colega Uchôa. Note que ele faz colocações de importância vital em um projeto de estrutura:

Riscos construtivos” - não esqueça da probabilidade, nada pequena, de seus projetos caírem em mão de pessoas pouco experientes.

Validar os esforços” - isso é uma coisa muito esquecida e, quando subestimada, pode levar a resultados bem longe da realidade.

Alguma edição” - o TQS é um espetáculo de sistema, mas é um programa e não uma pessoa inteligente e competente, pois nem sempre os detalhes fornecidos por ele são os melhores.

Fendilhamento” - Muito cuidado com isso. O trabalho indicado pelo Uchôa é muito bom. Dê uma olhada também no “Construções de Concreto” do Leonhardt.

Em suma: Não é um probleminha simples.
Abraços,
Eng. Antonio Palmeira, São Luís, MA


Edward e demais colegas,
É também interessante montar o modelo biela tirante para o detalhamento do bloco de transição.
Abraços,
Eng. Sérgio Osório, Recife, PE


Prezado Marco,
As orientações e observações dos colegas estão corretissimas, mas aqui vai a minha sugestão.

Se no ponto da rotação do pilar há possibilidade para inserir uma viga, considere esssa hipotése e calcule a estrutura como um pilar nascendo em uma viga de transição onde essa viga vai absorver os esforços provenientes dessa rotação. Mas antes de adotar uma solução definitiva, examine, verifique, calcule e novamente verifique todas as hipotéses possiveis.
Abraços,
Eng. Francisco Gonzalez, Curitiba, PR


Marco e colegas,
Não costumo discutir com arquiteto e por vezes é necessária esta rotação.

Dou como solução, na ligação dos dois pilares, fazer um bloco e o cálculo como se fosse um estreitamento ou alargamento de pilar. Solução simples e correta. Dá um bloco armado nas duas direções.
Abraços,
Eng. Bruno Contarini, Rio de Janeiro, RJ


Saiba mais:
http://br.groups.yahoo.com/group/comunidadeTQS/message/38633
http://br.groups.yahoo.com/group/comunidadeTQS/message/38636
http://br.groups.yahoo.com/group/comunidadeTQS/message/38631
http://br.groups.yahoo.com/group/comunidadeTQS/message/38629


TQS em obras industriais

Colegas,
Projeto, com bastante frequência, galpões industrais – a maioria deles com pilares em concreto moldados no local e também premoldados, fundações em estacas ou sapatas.

Faço todo o trabalho dentro do TQS, com bastante rapidez e praticidade:

a) Simulo a tesoura usando um perfil soldado, com rigidez próxima à da Tesoura, rotulado nos pilares.
b) Desativo o vento do TQS e coloco manualmente o carregamento de vento no perfil metálico do telhado e nas colunas. É preciso fazer atuar carregamento de vento a 0, 180, 90 e 270 graus.
c) Utilizo o Sises no modelador, entrando com os dados de sondagem.
d) Se o galpão tiver ponte rolante, entra-se com as vigas de rolamentos metálicas, e o TQS já tem comando que aplica a carga da ponte em vários pontos da viga, simulando a carga em movimento.

Fazendo assim, pode-se terminar e entregar um projeto de um galpão num prazo muito curto.

Terminei agora um prédio, aqui em Manaus, todo em aço, colunas em perfis H da Açominas e perfis soldados CS e vigas em perfis VS soldadas e laje em concreto. Modelei todo o edifício pelo TQS. Nas lajes desativei a grelha e usei o processo simplificado, com isso carregando as vigas secundárias, que são mistas, com a carga da laje numa direção. Calibrei o engastamento das vigas principais nas colunas, para não ter esforços grandes nas conexões das vigas com as colunas. Tenho outro software para metálicas mas, como ainda não o domino bem, detalhei toda a estrutura metálica do Edifício e da coberta no TQS.

Foram 175 ton de estrutura metálica, toda aparafusada. O prédio tem dimensões de 30 x 30 m, com módulos de 10 x 10 m.

Pode-se trabalhar em qualquer projeto usando o TQS, cujo suporte faz a diferença. Eu, particularmente, encho o saco deles, até aprender.

Eng. José Artur Linhares, Manaus, AM


Largura de mesa colaborante em vigas

Bom dia a todos,
Três dúvidas: 1. Os colegas consideram a largura de mesa colaborante no dimensionamento de vigas quando da presença de lajes? 2. A consideração propicia diferenças grandes de armadura e deformação na viga? 3. Quando a laje for pré-moldada, pode-se considerar a mesa?

Obrigado a todos,
Eng. Estevão Torresi Gialluisi, Assis, SP


Caro Estevão,
A largura colaborante de lajes surge, em nossos cálculos, sob duas formas distintas:

  1. Na análise de esforços e deformações, aumentando a inércia da seção e, conseqüentemente, a rigidez das vigas. Nesses casos, a largura colaborante pode estar, indistintamente, na zona comprimida ou tracionada das vigas, ou mesmo em ambas as zonas, simultaneamente. Realmente, como a análise (linear elástica), que geralmente utilizamos, assume seções brutas (não fissuradas, portanto), considera-se a largura colaborante na zona tracionada, também. A consideração da largura colaborante, na análise, é obrigatória, sem o que os valores de esforços e deformações nas vigas ficarão falseados em relação aos valores teóricos esperados. A avaliação da largura colaborante é a indicada na NBR 6118:2007 14.6.2.2.
  2. No dimensionamento, aumentando a área da zona comprimida da viga com a participação da laje, com o que se aumenta também o braço de alavanca das forças internas. No caso de seções retangulares muito solicitadas, com características próxima de superarmadas, a consideração da largura colaborante presta uma grande ajuda, não só reduzindo a armadura de tração, mas também tornando a seção mais dúctil. A consideração da largura colaborante no dimensionamento não é obrigatória, mas sim opcional. É um recurso útil nos caso apontados acima, mas ineficaz nas seções retangulares que têm armação próxima da míinima (seções subarmadas). É um recurso equivalente ao de se recorrer à armadura de compressão, o que faz com que se torne uma redundância pouco recomendável dimensionar uma seção T com armadura de compressão. Pode até existir nos livros, mas não deve existir na prática. A avaliação da largura colaborante é a mesma acima indicada pela NBR 6118.
  3. Quando a laje for pré-moldada pode-se considerar a mesa?

A mesa ou largura colaborante da laje necessita ser rigidamente ligada à nervura, e existir, nessa ligação mesanervura, armação transversal suficiente para resistir aos esforços de corte nessa interface. Assim, uma laje prémoldada que não satisfaça essas condições acima não pode ser considerada na avaliação da largura colaborante, nem na análise, nem no dimensionamento.

Abraços,
Eng. Antonio C R Laranjeiras, Salvador, BA


Saiba mais:
http://br.groups.yahoo.com/group/comunidadeTQS/message/39611
http://br.groups.yahoo.com/group/comunidadeTQS/message/39610


Fundação em dois níveis

Prezados,
Há alguns dias, creio que foi comentado isso... Mas não encontro os e-mails com a discussão desse assunto, e, sendo assim pergunto. É possível lançar no TQS uma estrutura com 2 níveis de fundação?

Fiz um teste inserindo da maneira mais simples, apenas inserindo o novo pavimento intitulado “Fundação 2” e a classe como fundação... Então apareceu a seguinte mensagem: “Planta “Fundação 2” é FUNDAÇÃO mas não é primeiro piso” mas, como já tinha classificado como fundação, ignorei a mensagem (para ver no que ia dar), então cliquei em atualizar e o programa “deu erro”.

Como fazer então?
Agradeço.
Eng. Daniel Ferraz Romeo, Campo Grande, MS


Caro Daniel,
Caros Amigos da Comunidade TQS,

Bom dia!
(Está mensagem deve ser lida por todos os usuários do CAD/TQS participantes)

A Classe Fundação deve ser utilizada apenas no 1° pavimento (piso 0) do edifício. A Classe Térreo também só deve ser empregada uma vez.

Quanto às cargas de vento, se existir um pavimento térreo, serão aplicadas acima deste, enquanto que, se não forem utilizadas, as cargas de vento serão aplicadas a partir do pavimento de Fundação.

Mas podemos fazer nascer pilares em diversos pavimentos, que seria o caso de um edifício em uma encosta, por exemplo.

No modelador, quando lançamos pilares em pavimentos acima do de fundação, na verificação de consistência, o modelador vai pedir para confirmar a condição de vinculação dos pilares:

Atenção: O pilar Pxxx está nascendo [Vinculado à fundação- solo] no piso 2. Você deve confirmar ou alterar a situação do pilar: (S)sim (V)nasce em viga (P)nasce em pilar/bloco/sapata/tubulão

Utilize (S)sim, se ainda estiver lançado o elemento de fundação abaixo do pilar que nasce, ou (P) quando já existir um elemento de fundação definido para esse pilar.

Mas a parte mais importante desta mensagem vem agora:

A opção default do sistema para as restrições de apoio nas fundações dos pilares/fundações é de apoio rígido.

Devemos sempre definir que os apoios são elásticos, principalmente quando temos pilares nascendo em pavimentos intermediários. Isto porque, se existirem restrições de apoio infinitamente rígidas em um ponto intermediário do pórtico espacial, elas podem absorver erroneamente uma reação horizontal irreal. Principalmente para as restrições de torção (rotação Z) e de translações em X e Y (planos horizontais).

Por este motivo, alguns anos atrás, incorporamos nos critérios gerais de pórtico, no menu PILARES, o quadro para Coeficientes de Mola Padrão, cujos valores default são de 50000 para os coeficientes de rotação Z e translação X e Y, sendo estes valores aproximados, mas que já permitem pequenas liberações nestes graus de liberdade.

Não são definidos coeficientes para a translação Z e rotações X e Y porque estes devem ser bem calculados, para que não ocorram deturpações nos resultados, principalmente na rigidez global e quanto a deformações diferenciais dos apoios.

No caso de estruturas com menos de 10 pavimentos, estes valores devem ser menores, por volta de 10000.
Atenciosamente,
Eng. Luiz Aurélio Fortes, TQS Informática Ltda, São Paulo, SP


Decálogo do concreto armado

Colegas,
Hoje, precisei consultar minha biblioteca e folheei alguns livros preciosos. Dentre eles, o Calculista de Estruturas - Concreto Armado, Aço e Madeira, de autoria do engenheiro argentino Simon Goldenhórn, publicado na década de 1960. Logo nas primeiras páginas, deparei- me com “Decalogo del Hormigon Armado”, após relê-lo, achei-o tão atual que resolvi traduzi-lo para imprimir e distribuir entre meus colaboradores do escritório. Depois, decidi compartilhá-lo com os colegas da Comunidade:

Decálogo do concreto armadopor Simon Goldenhórn

 

  1. NÃO delegue a preparação do CONCRETO a pessoas inexperientes.
  2. NÃO utilize cimentos que não sejam de reconhecida qualidade. Quanto melhor o cimento, mais adequada a mistura, menor o perigo de desagregação do concreto, melhor protegido o aço e mais resistente a estrutura.
  3. NÃO empregue agregado e areia que não sejam limpos e duros, livres de material pulverulento e matérias orgânicas. O concreto dosado com componentes contaminados não dará a resistência desejada.
  4. NÃO se deve utilizar areias uniformes e sim areia com grãos grossos, médio e finos.
  5. NÃO se pode utilizar qualquer tipo de água: a melhor é a potável. A água deve ser isenta de óleos, álcalis e ácidos. Na dúvida, mande analisá-la.
  6. NÃO se deve confiar demasiadamente na experiência do construtor: sempre confira e meça cuidadosamente as quantidades dos materiais a serem misturados.
  7. NÃO empregue aços muito oxidados, nem impregnados com pintura ou óleos. Limpe-os com escova de aço ou jato de areia.
  8. NÃO confie na experiência dos ferreiros para dobrar e montar os aços. Revise-os, sempre.
  9. NÃO permita a concretagem antes de rigorosa conferência de todas as armações. Molhe bem as fôrmas e certifique-se de que o concreto seja lançado lentamente. Proteja o concreto das intempéries, frio ou calor excessivos, por meio de areia ou tábuas umedecidas.
  10. NÃO confie o Projeto de Concreto Armado a pessoas sem experiência. Revise, cuidadosamente, todos os cálculos.

 

Nota:
Este decálogo foi traduzido por Dácio Carvalho a partir do original constante nas páginas iniciais do livro Calculista de Estruturas - Concreto Armado, Aço e Madeira, de autoria do engenheiro argentino Simon Goldenhórn, 13ª edição de H. F. Martinez de Murguia S. A. C. y E., Buenos Aires, 1973.

Atentem, especialmente, para o “décimo mandamento” e vejam quanta visão tinha Goldenhórn, Quando ele diz “... Revise, cuidadosamente, todos os cálculos.” está preconizando o que, hoje, todos estamos querendo que se torne rotina: a Certificação de Projetos, uma das bandeiras da atual gestão da ABECE.

Por favor, antes que se inicie uma polêmica e apareçam manifestações furiosas da nova “facção radical” da Comunidade TQS, ressalto que não estou querendo polemizar nem insinuar nada. Estou apenas resgatando um pouco da história de nossa atividade e como as coisas parecem mudar e evoluir e, entretanto, no âmago, continuam as mesmas, especialmente quando se trata da boa técnica!

Saudações e bom fim de semana a todos.
Eng. Dácio Carvalho, Fortaleza, CE


Caro amigo Dácio,
Tenho essas palavras quase que decoradas. O livro do velho Simon, impresso em papel jornal e com memórias escritas à mão livre, ocupa lugar de destaque na minha estante, inclusive com dois exemplares (já tinha um e ganhei outro de presente).

É uma relíquia! E concordo contigo quanto à validade desse decálogo.

Abraços,
Eng. Antonio Palmeira, São Luís, MA


Prezado Dácio,
Realmente vale a pena uma releitura deste livro.

Tenho a 7ª edição de 1951 e fico fascinado com os desenhos, textos e tabelas desenhados à mão livre, uma pintura.

Certamente cuidadosos procedimentos de revisão fazem parte da boa técnica e, acima de tudo, da obrigação moral.

Eng. Paulo C. Ormonde, Louveira, SP


Dúvidas periciais

Prezados amigos da Comunidade,
Em agosto do ano passado, fui intimado pela Justiça Federal a fornecer um orçamento para elaborar um laudo pericial entre a Universidade Federal e uma empresa que estava executando a construção de blocos de sala de aula. A causa, na época sem reajuste, estava por volta de R$ 2.000.000,00 e, devido à complexidade do processo com aproximadamente 800 laudas, fiz o orçamento em torno de R$ 25.000,00 e protocolei junto a Justiça Federal. Somente hoje recebi uma nova intimação do juiz federal, que dizia o seguinte:

Intimar a que dê inicio aos trabalhos periciais e, no prazo de 60 dias, contados da intimação -, apresente o competente laudo. 2) Cientificar de que: a) o laudo a ser elaborado deverá responder os quesitos formulados pelo autor da ação e pela Universidade; sendo facultada vista dos autos durante a realização da perícia; b) o autor da demanda é beneficiário de assistência judiciária gratuita, o que implicou a fixação dos honorários periciais em R$ 352,20 (Resolução 558/2007 - CJF, de 22/05/2007, Tabela II do Anexo) nos termos do despacho exarado à ff. 654.

Sendo assim, gostaria de saber dos amigos mais experientes o seguinte:

- Sou obrigado a fazer essa perícia por este valor?
- Existe alguma forma jurídica para que eu faça essa perícia com o valor que eu orcei?

Qual a opinião de vocês?
Grato,
Eng. Regis Nunes, Macapá, AP


Prezado Regis:
Tenho atuado como Assistente Técnico em algumas situações interessantes. É diferente, mas como é da mesma área, a gente acaba conhecendo um pouco, então aí vai minha sugestão.

O Perito convocado pelo Juiz, por um valor de honorários que não lhe interessa, deve peticionar imediatamente ao Juiz informando sua posição de recusa ou contraproposta (no seu caso, mencionando e adicionando sua Proposta protocolada á época da convocação e agregando fortes argumentos, preços de serviços semelhantes, despesas inevitáveis e além de suas possibilidades, etc.), na expectativa de um parecer favorável, que já adianto ser quase impossível, pois uma vez sendo o Autor da causa beneficiado pela justiça gratuita, terá sim, direito a não pagar advogados e peritos, entre outras custas judiciais.

Vou continuar pesquisando mas sugiro que não perca tempo: peticione!

Abraços,
Eng. Egydio Hervé Neto, Porto Alegre, RS


Prezado Regis Nunes,
Repondo às suas perguntas com base na minha experiência pessoal.

- Sou obrigado a fazer essa perícia por este valor?

Sim, se assim entender o Sr. Juiz, que pode caracterizar sua eventual recusa como uma “obstrução à Justiça”, podendo penalizá-lo severamente. Você pode, em audiência privada com o Juiz, tentar convencê-lo, mui respeitosamente, de suas dificuldades em executar os serviços sob esse novo preço, que se constitui um fato inteiramente novo nos entendimentos até então mantidos. Se você conseguir que ele dispense seus serviços, você formalizará o pedido pelas razões que ficarem combinadas nessa audiência informal.

- Existe alguma forma jurídica para que eu faça essa perícia com o valor que eu orcei?

Penso que não, pois a decisão do Juiz, no caso, é soberana.

Certa vez, ligou-me um Juiz Federal informando-me que meu nome tinha sido indicado por um colega meu (e citou seu nome completo) para atuar como Assistente (Perito) em uma Ação Cautelar, cujo objeto era uma construção pública que apresentava danos na estrutura, consultando-me se aceitava essa indicação. Respondilhe, já que ele me consultava, que não aceitaria pelos motivos que passei a lhe expor, salvo se ele me intimasse. Ao fim dos meus argumentos, ponderou que estava com muita dificuldade em encontrar o Assistente, já que os anteriores alegavam falta de competência na Engenharia de Estruturas, e concluiu:

- “Está bem. Então vou intimá-lo”. E assim fez.

Apresentei o preço dos serviços e a parte que movia a Ação o considerou muito acima da prática das perícias. O Juiz acatou o pedido, reduziu o preço a um terço de seu valor, que, com as retenções na fonte ficou irrisório. Fiz o serviço pelo preço determinado.

Como diria Carnaúba: “o bom cabrito não berra!”

Abraços,
Eng. Antonio C R Laranjeiras, Salvador, BA


Prezados professor Laranjeiras, Regis e demais membros,

Li com atenção algumas colocações e liguei para uma juíza para saber sua opinião sobre este fato.

O que ela disse é que: não há lei que o obrigue a fazer qualquer perícia por qualquer que seja o valor; deve-se entender a “intimação” do juiz como uma nomeação; e que deve responder que está impedido de fazer tal perícia por motivos particulares, p. exemplo.

A retaliação que pode acarretar é de não ser nomeado novamente por este juiz.

Isto também não deve ser muito relevante pois, se aceitar, também não será nomeado novamente já que, certamente irá morrer de fome antes de terminar a perícia!
Abraços,
Eng. Jorge Bittar, Juiz de Fora, MG