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Edição 20 - Janeiro/05

Edição Nº. 20 - Janeiro/05

Caros colegas, esta é a mais nova seção do TQS News, onde serão publicadas mensagens que se destacaram no grupo Comunidade TQS e Calculistas-Ba ao longo dos últimos meses. Acreditamos que esse será um dos espaços mais importantes do jornal, um local onde poderemos aprender sobre os mais diversos assuntos, relatados por engenheiros estruturais de todo o Brasil.

Para efetuar sua inscrição e fazer parte dos grupos, basta acessar http://br.groups.yahoo.com/, criar um ID no Yahoo, utilizar o mecanismo de busca com as palavras “Calculistas-ba” e “ComunidadeTQS” solicitando sua inscrição nos mesmos.


Por que caem os edifícios?

Colegas,
Por que caem os edifícios? Essa é uma pergunta que vem sendo repetida e vale a pena respondê-la, para esclarecer equívocos.

Os edifícios caem pela mesma razão que caem os aviões, que afundam os transatlânticos e explodem as espaçonaves. A razão está na aleatoriedade de todos os fenômenos físicos, cujos múltiplos fatores de influência podem assumir conjugações extremamente desfavoráveis, capazes de conduzir os edifícios, os aviões, os transatlânticos ou as espaçonaves aos colapsos indesejados, acima referidos.

Imaginar que projetos corretamente elaborados, construções primorosamente executadas e utilizações irretocáveis serão capazes de evitar inteiramente o risco de ocorrência desses colapsos é desconhecer sua natureza aleatória. Sobreviver é superar riscos!

Todas as pessoas, ao embarcarem nos aviões, por exemplo, implicitamente sabem que, não importa o modelo, o projeto e a empresa aérea, elas estarão a correr riscos de acidentes fatais. Existem aqueles que se recusam a aceitar esses riscos e não embarcam nos aviões. Mas, existirão sempre situações em que o benefício a ser auferido parece compensar os riscos a serem assumidos.

Não há como garantir a certeza de que um avião não venha a cair ou que um edifício, mesmo com alguns anos de construído, não tenha risco de entrar em colapso. De fato, segurança não significa certeza mas sim confiança. Os riscos não podem ser inteiramente eliminados, mas podem ser limitados a níveis de probabilidade aceitáveis pela sociedade. Se os aviões caem ou os edifícios desabam, a sociedade reclama e a Engenharia revê seus procedimentos.

Os engenheiros devem convencer-se pois da realidade de que nenhuma construção, por melhor projetada, construída e mantida estará a salvo de infortúnios, porque sua probabilidade de ocorrência, apesar de bem pequena, não será nula jamais! A sociedade necessita também convencer-se de que o risco está associado a todas as atividades humanas, inclusive a de habitar um edifício. Entendo, pois, que a Engenharia de Estruturas age equivocadamente quando, através de seus representantes autorizados, passa à sociedade a convicção de que os colapsos podem ser inteiramente evitados pela competência profissional e que, por esse motivo, sua ocorrência inaceitável.

Abraços,
Eng. Antonio Carlos Reis Laranjeiras, Salvador, BA


Projeto alterado

Caros colegas,
Há pouco recebi uma ligação de um amigo calculista que me deixou estarrecido.

Dizia-me ele que, em um projeto de sua autoria de 3 blocos com 13 pavimentos cada, os detalhes dos pilares foram deliberadamente alterados durante a construção. O primeiro bloco está concluído. O segundo esta concretado até a 11ª laje e o terceiro apenas até a 1ª laje.

Em visita à obra, hoje à tarde, descobriu-se o nome do calculista que alterou o detalhamento (certamente a pedido da construtora).

Algumas alterações notadas:
1. Comprimento de trespasse de ferros com bitolas de 20 mm foram reduzidos para 25 cm.
2. Seções que continham 20 barras passam a conter 16 barras.
3. Em alguns pilares do térreo foram utilizadas barras de 8 mm.

Apesar das alterações, não foi anotado outro projeto substituindo o atual perante o CREA/GO.

Este meu amigo pretende fazer uma denúncia formal ao CREA, mas me perguntou que outra medida legal é cabível nestes casos. Como não tenho experiência nesta área jurídica, pergunto aos meus colegas desta nobre comunidade, que outras medidas poderiam ser tomadas em casos como este.

Desde já, agradeço a todos. Um cordial abraço
Eng. André Leyser, Goiânia, GO


Caro André,
A Lei n° 5.194, de 24 de dezembro de 1966, que regula o exercício da profissão de engenheiro, estabelece no art. 18 que “As alterações do projeto ou plano original só poderão ser feitas pelo profissional que o tenha elaborado”.

Parágrafo único. “Estando impedido ou recusando-se o autor do projeto ou plano original a prestar sua colaboração profissional, comprovada a solicitação, as alterações ou modificações deles poderão ser feitas por outro profissional habilitado, a quem caberá a responsabilidade pelo projeto ou plano modificado”.

Assim, se houve modificação orientada por um profissional, este agiu em desacordo com a lei, bem como quem o contratou.

De agora em diante, cabe ao seu colega contratar um advogado para propor ações cabíveis.

Ultimamente tenho inserido nos meus contratos de prestação de serviços uma cláusula com este item, no qual não só a construtora como seus sucessores ficam obrigados a entrar em contato comigo, quando forem fazer qualquer alteração no projeto original. Isto é muito comum em coberturas de prédios residenciais.

Espero ter ajudado um pouco,
Abraços a todos,
Eng. Jorge Bittar, Juiz de Fora, MG


Manual do engenheiro

Manual básico de como se relacionar com um engenheiro

Coisas que o cliente precisa saber

1. ENGENHEIRO dorme.

Pode parecer mentira, mas engenheiro precisa dormir como qualquer outra pessoa. Não o acorde sem necessidade! Esqueça que ele tem telefone em casa e ligue para o escritório.

2. ENGENHEIRO come.

Inacreditável, não? Mas é verdade. Engenheiro também se alimenta e tem hora para isso. É fácil descobrir qual é: basta comparar com a sua própria hora de se alimentar.

3. ENGENHEIRO tem família.

Essa é a mais incrível de todas: mesmo sendo um engenheiro a pessoa precisa descansar no final de semana e precisa de um tempo com a família e os amigos, sem pensar ou falar sobre obras e projetos.

Pergunta: Nas situações acima o engenheiro atende?

Resposta: Sim. Pode atender, desde que seja pago por isso e seja imprescindível, mas saiba que custa mais caro. Por favor, não pechinche. Ah! E cara feia na hora de assinar o cheque não diminui o que você precisa pagar. Se não fazia questão de qualidade nem de segurança ou queria mais barato, deveria ter procurado um mestre de obra. O combinado não é caro.

4. ENGENHEIRO precisa de dinheiro.

Por essa você não esperava, né? É surpreendente, mas engenheiro também paga impostos, se alimenta, consome combustível, se veste, adoece, etc. E uma coisa bizarra: os livros, o escritório, o carro e as coisas que ele tem não chegaram até ele gratuitamente. Impressionante, não? Entendeu agora o motivo de ele cobrar por seus trabalhos?

5. Ler e estudar é trabalho. É trabalho sério. Pode parar de rir. Não é piada.

6. Não é possível examinar projetos, acompanhar obras nem fazer orçamentos pelo telefone. Isso nem precisa comentar.

7. De uma vez por todas, para reforçar: engenheiro não é vidente. Ele precisa examinar o projeto, conhecer o terreno, fazer cálculos e orçamentos. Isso demanda tempo e tem custos. Se quer milagre, tente uma macumba e deixe o engenheiro em paz.

8. Em reuniões de amigos ou festas de família, o engenheiro deixa de ser engenheiro, vira amigo ou parente. Não comece conversas sobre como ajeitar sua sala, reformar a cozinha, fazer um puxado ou discutir que cor combina com os móveis do seu quarto. Para isso ele precisa refletir, se concentrar, ou seja, precisa trabalhar.

9. Não existe apenas um desenho. Desenho é projeto, projeto tem que ser pensado, planejado, estudado, calculado e, por sua vez, cobrado. Diante desses tópicos inconcebíveis a uma boa parte da população, algumas dicas para tornar a vida do engenheiro mais suportável:

  • celular: é uma ferramenta de trabalho. Por favor, ligue apenas quando necessário. Fora do horário de expediente, mesmo que você ainda não tenha acreditado, o engenheiro pode estar fazendo alguma daquelas coisas que você pensou que ele não fazia, como dormir ou namorar, por exemplo.
  • preliminares: Por favor, marque hora. Se não marcar, não insista, não pressione e seja breve. Ninguém tem culpa da sua idiotice. Ah! E não espere que o engenheiro vá colocá-lo no horário de quem já marcou, cancelando um compromisso. Se houver tarefas agendadas, conforme-se em ficar para depois. Na próxima vez ligue antes. Só o procure sem marcar em caso de urgência, por favor, mas saiba que a sua urgência nunca tão emergencial como você julgou que fosse.
  • repetição: repetir a mesma pergunta mais de cinco vezes não vai mudar a resposta. Por favor, repita somente se não tiver entendido a resposta. O engenheiro não está sob investigação policial.
  • horários: quando se diz que o horário de atendimento é até meio dia, não significa que você pode procurá-lo às 11:55. Se chegar, volte depois do almoço. O mesmo vale na hora do fim do expediente.
  • emergências: é claro que existem e o engenheiro atende, mas pense bem e saiba que raramente elas acontecem. Lembre-se de que as suas emergências nunca são tão emergenciais quanto você imagina. Se mesmo assim não funcionar, saiba que emergências geralmente custam caro.
  • pagamento: pague em dia: o que você paga não é apenas do engenheiro, mas cobre despesas e é distribuído para mão-de-obra, materiais, impostos, etc. Só a menor parte é do engenheiro.
  • trabalho: por mais que a sua obra seja a realização de um sonho pessoal, o engenheiro é um profissional e para ele a sua obra é um trabalho.
  • exclusividade: lembre-se de que você não é único e nem paga para ter exclusividade. Exclusividade custa caro, mas até para isso há limites para serem respeitados.
  • atendimento: na hora do atendimento, se for preciso, bastam alguns membros da família para o acompanhar e trocar idéias com o engenheiro. Por favor, deixe os amigos do cunhado e seus vizinhos com os respectivos filhos nas casas deles.
  • questionamento: não fique bombardeando o engenheiro com milhares de perguntas durante o atendimento. Isso tira a concentração, além de torrar a paciência. Evite perguntas que não tenham relação com a obra ou o projeto.
  • visitas: visitas à obras não são passeios. Elas não se assemelham à visitas sociais. São trabalhos que demandam tempo, inclusive o de traslado, e têm que ser bem aproveitadas.
  • indecisão: discuta em casa com seus parentes e defina o que você quer e precisa, antes de procurar o engenheiro. Ele não é pago para resolver pendências, gostos e discussões familiares. Além disso o atendimento não é uma visita nem um bate-papo entre amigos.
  • objetividade: infelizmente, a cada atendimento, o engenheiro só poderá tratar de uma obra. Lamentamos informar, mas sua outra obra ou projeto também terá que passar por consulta e você também terá que pagar por ela.
  • custos: lembre-se de que não é o engenheiro quem fixa preços de materiais. Se o seu gosto é apurado e a obra custa caro, a culpa não é do engenheiro. Para ter controle, sobre os custos, construa de acordo com o seu poder aquisitivo e não dê ouvidos aos palpites da sogra, dos filhos e dos amigos e nem tente superar os vizinhos.
  • filantropia: o engenheiro não deixará de cobrar o atendimento só porque você já gastou demais na obra.
  • responsabilidade: não foram os engenheiros que inventaram o ditado “O barato sai caro”, e não esqueça que quem fez o projeto foi seu Arquiteto, o engenheiro só o executa.

Enviada pelo eng. Otávio Passos Geimba, Porto Alegre, RS


Estribos em pilares

Colegas,
Continuando a discussão sobre o assunto... no item 18.2.4 da NBR 6118:2003 está escrito: “Sempre que houver possibilidade de flambagem das barras da armadura, situadas junto à superfície do elemento estrutural, devem ser tomadas precauções para evitá-la.”

Nos casos em que os esforços solicitantes no pilar foram pequenos e a armadura no pilar corresponder à mínima, podemos abrir mão da colocação de grampos e aumentar o espaçamento entre estribos? No caso dos pilares, quando não haveria possibilidade de flambagem?

Marcos Pereira Pinto, Salvador, BA


Colegas,
Acrescento sobre esse assunto de estribos na ligação vigas-pilar algumas informações a esse respeito contidas na publicação do ACI 352R-91 “Recomendações para projeto de nós viga-pilar em estruturas de concreto armado monolíticas”.

Para efeito dessa Recomendação, “nó viga-pilar” é o espaço no pilar compreendido por toda a altura da(s) viga(s), incluindo a laje.

No nó viga-pilar devem existir estribos no pilar, situados entre as armaduras longitudinais superior e inferior das vigas, no número mínimo de dois, respeitados os espaçamentos máximos de 15 cm, se o pilar faz parte da subestrutura resistente às forças horizontais, ou de 30 cm, no caso contrário. As funções primárias desses estribos são a de garantir a retilineidade das barras contra flambagem das mesmas e oferecer certo confinamento ao concreto nos nós.

Esses estribos são dispensáveis quando existem vigas que concorrem ao pilar em todas as suas quatro faces, desde que a largura das vigas seja pelo menos 3/4 da largura do pilar e não deixe mais do que 10 cm livres na largura do pilar, de cada lado da viga.

Abraços,
Antonio Carlos Reis Laranjeiras, Salvador, BA


Mas o que o mercado sabe sobre os preços?

Artigo de autoria de Luís Alberto F. Lobrigatti, consultor de Orientação Empresarial do Sebrae-SP (publicado no jornal Diário de São Paulo de 1/8/2004).

Preço competitivo. Essa foi uma das conseqüências do fim da inflação alta, da abertura de mercado com a globalização e também da redução do poder aquisitivo. Acirrou- se a competência e incluiu-se aí a questão do preço dos produtos e serviço. E essa preocupação tem mesmo de estar na mira da artilharia da gestão em empresas.

É uma preocupação nova. Em passado recente, a regra era “ter preços ajustados à inflação, comprar a prazo e vender à vista”. Nos períodos de alta inflação, era possível ter valores diferentes em um mesmo dia e também ocorria de mercadorias ficarem em estoque esperando definição de reajustes para remarcação.

A queda da inflação trouxe estabilidade e, com ela, desenvolvemos uma memória de preços. A partir daí, tornou- se necessário calcular corretamente o preço de venda para que seu negócio continue rentável e possa praticar os mesmos preços que a concorrência.

“O mercado dita o preço” . O que é mercado? Composto por fornecedores clientes e concorrentes. Pode-se dizer que tem uma dinâmica perfeita e quando se afirma que ele dita os preços, refere-se ao mecanismo da concorrência, produtos e clientes comuns às empresas do setor. A disputa pelos nichos de mercado.

Sendo assim, se os seus concorrentes estão corretos no cálculo dos preços de venda eles podem ser seguramente copiados? Creio que não.

Ainda que sejam de um mesmo segmento, as empresas são completamente diferentes entre si. Têm estruturas físicas, financeiras, operacionais, societárias, etc., dos modelos mais diversos. Também divergem em relação aos desejos de lucro e recuperação do capital investido - mesmo que sejam definidos por meio de planejamento técnico são bastante variados. Vantagens competitivas, conhecimentos sobre o produto ou serviço e mesmo a pessoa da gestão de negócio colocam o preço de venda em posição individual.

Temos acompanhado bem de perto esta questão e freqüentemente verificamos este dilema: empresários surpresos com a condição do concorrente de praticar este ou aquele preço, algumas vezes quase o valor de custo dos mesmos artigos que ele tem em loja. Às vezes não dá para entender; não é?Antes do desespero, é preciso pesquisar se os empresários concorrentes estão levando em consideração - quando estabelecem o preço mínimo - fatores de custos essenciais à sobrevivência do negócio, tais como 13º salário e demais encargos trabalhistas, o total da carga tributária relativa ao valor da venda, perfeita legalização do negócio, custos de instalação, carga tributária relativa ao preço de venda, depreciação dos ativos permanentes (máquinas, veículos, equipamentos, móveis etc), valor do custo das vendas a prazo, pró labore e salários, capacitação de mão-de-obra, inclusive dos próprios empresários, marketing em geral. Questões essas relacionadas apenas à sobrevivência do negócio.

O preço de venda praticado, sem essas considerações, equivale a um atleta cujo esforço físico é elevado e que não se alimenta adequadamente.

Em algum momento, o corpo não suporta o esforço demasiado. Em empresas o efeito é o mesmo. Preços de composição inadequados e valor incompleto quebram a empresa, arruínam o segmento e acostumam mal os clientes.

O outro elemento importante que compõe o mercado são os clientes. Adoram e brigam por preços cada vez menores. A cada compra repetida, acostuma-se na memória do último valor e não se admite preço maior, ainda que claramente ele seja justo. Adotar a estratégia de seguir os preços de Mercado é válido, desde que a atenção esteja também voltada ao preço essencial para as empresas sobreviverem e prosperarem. O preço de mercado é justo quando o investimento está preservado e a responsabilidade social está considerada (impostos, salários dos funcionários, prevenção ao meio ambiente, legalidade dos negócios etc). Bons negócios.

Amigos, resolvi publicar o artigo acima na nossa comunidade por considerar que o mesmo acaba esclarecendo a longa polêmica, sempre recorrente no nosso meio profissional, da questão dos preços dos nossos projetos.

Abraços,
Ricardo Rausse, Rausse e Benvenga Engenharia e Projetos, São Paulo, SP
PS: Os grifos são meus.


A falta de uniformidade de linguagem em normas de estruturas

Colegas
Já que se falou alguma coisa sobre coeficientes de segurança, gostaria de comentar um problema sério no Brasil. Trata-se da falta de unificação lógica dos princípios das normas de estruturas brasileiras. Atualmente o problema é uma “salada russa”. Analisemos um pouco os problemas.

As normas de concreto armado e de protendido brasileiras seguem a escola européia.

As de estruturas de aço, as normas americanas da AISC (American Institute Steel Construction).

As de chapas finas de aço, as normas americanas do AISI (American Iron Steel Institute).

As de fundação, realmente não seguem os princípios gerais das normas de estruturas brasileiras. Falam ainda de tensões admissíveis, etc. O projetista tem que usar a sua imaginação para poder passar os esforços determinados de uma norma para a norma de fundações. Neste caso creio que, somente com o advento da norma de fundações européia, os conceitos semi-probabilísticos sejam aceitos e adotados na norma de fundações integralmente de forma lógica.

As de barragens seguem as normas do Bureau of Reclamation dos EUA.

As estruturas offshore seguem as normas americanas (American Petroleum Institute), etc. Se forem de concreto, seguem as normas da DNV (Det Norske Veritas) norueguesa.

Já a norma brasileira de ventos adota valores de velocidade de vento em função da importância da estrutura. Isto equivale a dizer que existem classes de cargas de vento para as estruturas (aproximadamente como em pontes, com a diferença de que não existe placa de sinalização para as cargas de vento).

Tratemos somente das normas de concreto armado e de aço. Realmente não se consegue padronizar os conceitos entre as duas normas. A desculpa é que os resultados ficam praticamente os mesmos. A comissão de redação das duas normas não fala a mesma língua. A norma de aço adota um “dialeto” sui generis normativo (uma mistura de uma linguagem normativa americana com a européia).

As normas de aço (NBR 8800) adotam as cargas de cálculo como as normas de concreto. Entretanto os “coeficientes de segurança” para resistências nas normas de aço são menores que 1 ( na NBR 6118 são maiores que 1). Isto significa que eles mudam de lugar na fração. Para uma norma o coeficiente fica em cima e na outra, em baixo. Além disso, seguindo a tendência americana, existe um “coeficiente de resistência” menor que 1 diferente para cada tipo de dimensionamento (momento fletor, compressão, tração, força cortante, corte de parafuso, pressão de contacto, etc). Esses coeficientes traduzem uma maior ou menor dispersão na utilização das regras de dimensionamento, além da usual dispersão da resistência do material. Esse tipo de “coeficiente de segurança” não existe nas regras européias de estruturas de concreto armado, adotadas na NBR 6118. Além disso, esse coeficiente leva em consideração a dispersão da resistência do material assim com a dispersão da regra de dimensionamento (dispersão da relação entre os resultados calculados e os medidos em experiência). Na flexão, por exemplo, o “coeficiente de resistência” é 0,9, ou seja, um coeficiente praticamente somente para o material de 1,11 (1/0,9), já que na flexão as regras de dimensionamento são praticamente bem adequadas. O coeficiente de resistência à tração de parafusos de alta resistência é 0,75.

A “salada lógica” normativa fica uma “calamidade” (nada a comentar sobre os resultados finais dos dimensionamentos) quando se trata de dimensionamento de vigas mistas (que os estruturistas de aço consideram que sejam do domínio deles. Por sinal, houve uma discussão recentemente sobre esta responsabilidade.). Os coeficientes adotados na norma de aço são “acertados” a duras penas para obter resultados corretos. Nas normas européias, existe uma norma específica para estruturas mistas, EuroCode 4 (EN 1994), diferente da norma de aço (EN 1993), o que no meu entender é muito mais correto.

Aqui deve-se comentar que este “coeficiente de resistência” da NBR 8800 existe na norma americana de estruturas de concreto da American Concrete Institute. Nada a criticar sobre a adoção do “coeficiente de resistência” que considero um passo a frente na teoria de segurança das estruturas.

A minha grande curiosidade é como as normas européias irão tratar tecnicamente, de forma lógica, as normas de estruturas de aço, de concreto, de estruturas mistas e de fundações. Os franceses e alemães são grupos extremamente lógicos e deverão acertar tudo logicamente nas suas normas (espero eu).

O professor Péricles Brasiliense Fusco da USP tentou manter uma certa lógica entre as normas de estruturas em geral, tendo sido o mentor da norma geral de segurança brasileira NBR 8681. Conseguiu talvez no que se refere às ações.

Atenciosamente
B. Ernani Diaz, Rio de Janeiro, RJ


Marketing é...

Marketing é uma filosofia gerencial integrada que consiste em atender o mercado e atender as suas necessidades, os seus anseios e seus desejos, considerando as suas disponibilidades.

Marketing é uma atividade integrada. Ações isoladas, por mais brilhantes que sejam, não têm grandes efeitos positivos no mercado.

Mentir sobre um produto ou serviço para torná-lo mais interessante não é Marketing (é mentira).

Omitir informações relevantes, mas que pesam contra a decisão de compra do cliente não é Marketing (é desonestidade).

Enganar o cliente não é Marketing (é trapaça).

Marketing é explorar argumentos de forma inteligente e criativa.

Marketing é evidenciar as Características, as Vantagens e os Benefícios de um produto (mercadoria ou serviço).

Investir em Propaganda e Publicidade sem se preocupar com a qualidade do produto, o seu preço, a distribuição no mercado, as pessoas e os processos envolvidos ou a pós-venda...não é Marketing (é simplesmente, propaganda!).

Exagerar ao descrever vantagens e benefícios não é Marketing (é um caminho para a perda da credibilidade).

Oferecer propina para obter vantagem competitiva não é Marketing (é corrupção, da grossa!).

Marketing é despertar interesses adormecidos.

Explorar sem piedade uma desgraça ocorrida com o concorrente não é Marketing (é manifestação de mau caráter!).

Falar mal dos concorrentes (mesmo quando se trata da mais pura verdade) não é Marketing (é tolice!).

Marketing é dominar as tecnologias de informação. Não é apenas conhecer o vocabulário.

Marketing é conhecer o mercado em que se pretende atuar. Conhecer o mercado significa conhecer os clientes, conhecer os fornecedores e, fundamentalmente, conhecer os concorrentes.

Marketing é análise do mercado.

Marketing é Pesquisa de Prospecção de Mercado, Pesquisa de Comportamento do Consumidor, Pesquisa de Satisfação do Cliente, Pesquisa, Pesquisa, Pesquisa...

Fazer chantagem (de qualquer espécie) não é marketing (é estupidez!).

Marketing não é fazer pressão emocional ou psicológica sobre os clientes.

Marketing é Criatividade.

Marketing é Bom Humor.

Marketing é Assunto Sério! Exige muito talento, estudo e experiência profissional.

Marketing é respeitar a dignidade das pessoas e não usar a raça, o sexo, a origem étnica ou qualquer outra característica natural como motivo de chacota ou agressão.

Marketing é o que pode fazer a diferença entre dois produtos (mercadorias ou serviços) aparentemente iguais.

Marketing é tudo o que se faz para colocar o produto certo, no lugar certo e na hora certa.

Marketing não é o que faz o produto ser vendido. É o que faz o produto ser comprado.

Arrogância não é Marketing (é desvio de comportamento).

Marketing é sinceridade.

Fazer qualquer coisa para obter lucro a qualquer preço não é marketing (é mesquinharia!).

Marketing é pesquisar e estudar o mercado. Planejar as estratégias. Agir com determinação e competência.

Marketing não é só Teoria. É Ação! O melhor plano de marketing não vale nada se não for concretizado. Não existe marketing se não existem ações concretas.

Marketing não é coisa de empresa grande. É uma necessidade de qualquer pessoa ou organização, de qualquer tamanho, em qualquer área de atuação.

Marketing é agilidade na percepção do problema. Agilidade na tomada de decisão. Agilidade na Ação.

Marketing não é qualquer coisa que qualquer um chame de Marketing!!!

Eng. Ênio Padilha (www.eniopadilha.com.br)


Simpósio sobre o desabamento do Areia Branca

Prezados Colegas,
Comparecemos ontem no evento promovido pelo Ibracon, Abece e Ibape/SP denominado “LIÇÕES DE AREIA BRANCA, Acidentes, Responsabilidades e Segurança das Obras Civis”.

Um dos temas em questão foi a palestra proferida pelo eng. prof. Romilde A. de Oliveira da UNICAP (Universidade Católica de Pernambuco) e membro da Comissão de Diagnósticos do Areia Branca sobre a investigação das causas do desabamento do edifício. Este foi o tema mais esperado e aguardado do evento.

Nas minhas viagens pelo Brasil afora, todos perguntam se eu sei de algo sobre o acidente com o edifício Areia Branca. Por esta razão, vou reproduzir aqui o que foi dito pelo eng. Romilde, procurando ser o mais fiel possível. Evidentemente que este é apenas um relato superficial do que assisti ontem, não tem nenhum valor legal e pode conter alguma falha de interpretação.

Foi formada uma comissão de engenheiros pelo CREAPE para investigar o ocorrido com o Areia Branca. Outros grupos também foram formados com o mesmo objetivo, grupos estes ligados a empresa seguradora e aos próprios moradores.

A documentação existente do edifício é a seguinte: projeto arquitetônico, sondagens e recolhimento da ART. O projeto estrutural não está mais disponível. O edifício foi executado aproximadamente há 28 anos. Tinha um sub-solo semi-enterrado, um térreo, 12 pavimentos, cobertura, caixa d’água superior etc. A estrutura era composta por vigas e pilares e lajes de concreto armado com as lajes do tipo pré-moldadas de vigota e cerâmica, tipo “Volterrana”.

O acidente ocorreu numa quinta-feira, dia 14/10/04 por volta de 20:30 hs. Tudo aconteceu em uma semana. Foram exibidas fotos de vigas tiradas no dia do acidente, as 10:30 horas, mostrando trincas a 45 graus.

No dia 10/10/04, domingo, ocorreu um estrondo no edifício, à noite. Os moradores se assustaram, mas não notaram grandes anomalias. Na terça feira, dia 12/10, parte da região do subsolo apareceu alagada e também surgiram trincas a 45 graus na parede da caixa d’água que fica entre o subsolo e térreo - junto de um determinado pilar. Por este pilar passa uma viga que apresentou duas trincas a 45 graus, uma de cada lado do pilar e invertidas. Era um indício inequívoco de que o pilar havia sofrido um recalque.

Na quarta-feira, dia 13/10 o engenheiro projetista foi vistoriar a obra e notou as trincas, mas não viu outros sinais maiores de danos estruturais e sugeriu a recuperação destes pontos problemáticos.

De quarta para quinta-feira, o síndico disse ter ouvido barulhos como se fossem elementos metálicos se chocando, encontra outros moradores que também ouviram tal ruído e que sentiram o edifício balançar. Nesta evolução do problema, uma parede de alvenaria foi esmagada o que alarmou mais ainda os moradores. Foram acionados novamente o projetista estrutura e, também, a defesa civil. Nesta oportunidade o síndico pediu que todos descessem. O projetista recomendou imediatamente uma empresa de recuperação de estruturas habituada a este tipo de pronto-socorro estrutural. Os moradores saíram do edifício.

Na quinta-feira cedo o pessoal de recuperação de estruturas juntamente com a defesa civil e o projetista estavam no edifício. Pela urgência dos serviços foi feita uma carta de intenções para autorizar o início da obra imediatamente, isto ocorreu por volta de 14 horas. O pessoal e o material para o trabalho da empresa de recuperação chegou na obra entre 15 e 16 horas. Primeira providência: escavar a base do pilar suspeito de recalque. Foi retirada a laje de contra-piso até chegar ao baldrame (altura de 1,5 m). O topo da sapata estava 1,40m abaixo do subsolo. Notou-se então que o pilar estava rompido com a armadura flambada a 80 cm abaixo do subsolo. Até então, o pilar próximo não tinha nenhuma anomalia.

Para recuperar o pilar rompido foi solicitado material para resolver o problema, “graute” etc. Este tipo de reforço já tinha sido realizado em outras oportunidades, com sucesso, pela mesma empresa. Foi relatado um caso, em Belém, onde diversos pilares estavam rompidos e a recuperação aconteceu normalmente. Não deu para fechar o vazio, foi lançado apenas o primeiro balde de graute.

A caixa d’água no subsolo estava construída junto a dois pilares, um deles com o problema inicial. O piso não apresentava nenhum problema de afundamento, existia uma junta fria entre o piso e os pilares e caixa d’água. No subsolo foi o local onde as alvenarias apareceram rompidas. A trinca na caixa d’água do subsolo era a 45 graus o que demonstrava o recalque dos pilares. Outros pilares fora da região da caixa d’água não apresentavam problemas. Às 17 horas apareceram trincas significativas numa viga de contorno que passava por pilares próximos.

Por volta das 20:20 hs um morador que estava acompanhando os trabalhos de recuperação viu que outro pilar próximo da caixa d’água, começou a sofrer o processo de ruptura. O morador disse que começaram a sair lascas de concreto do pilar e os ferros a ficaram retorcidos e um novo estrondo como se fosse um tiro abafado, uma explosão. Todos saíram correndo e ocorreram mais estrondos sucessivos e o edifício começou a descer. Alguns operários e empregados não conseguiram sair a tempo embora estivessem acostumados a este tipo de trabalho.

O edifício desceu até chegar ao 6º pavimento, deu uma parada, girou e desmoronou completamente. Deduziuse então que o estrondo do domingo foi a ruptura do primeiro pilar.

O edifício vizinho, denominado Solar da Piedade, sofreu também danos consideráveis.

Examinando os escombros, notou-se que os mesmos estavam muito pulverizados. Nas seções de pilares remanescentes, os estribos são muito finos (4.2 mm), pois a NB1-60 permitia, as armaduras apresentavam alguma corrosão (este ponto ficou um pouco em dúvida), o cobrimento era de 1.5 cm e as armaduras longitudinais praticamente se soltaram do concreto do pilar sem romper o concreto. Ficou uma calha lisa no concreto onde existia cada barra longitudinal e notou-se muitas bolhas no concreto junto as armaduras. As britas também quando soltas deixaram marcas lisas. Estes fatos, provavelmente, foram provocados por concreto de baixa resistência, fator água/cimento alto, baixa vibração. Ainda não se tem a confirmação da resistência real do concreto. Estão sendo feitos inúmeros ensaios de materiais (concreto, aço, solo), inclusive com reconstituição de traço. Não se tem resultados destes ensaios também.

Foram retirados os escombros até as sapatas. Estas estão íntegras, sem sinais de ruptura e também não existem sinais de ruptura do solo.Portanto, ainda não existem indícios que a ruína tenha sido originada pelas fundações, com maior probabilidade de estar relacionado a ruptura do concreto nos pilares nas proximidades da fundação. O edifício não teve aumentos significativos de cargas, portanto, a qualidade do concreto é a maior suspeita. Deve-se lembrar que não se tem conclusões finais firmadas.

Outras considerações: Foi mostrado um quadro comparativo das normas NB1-60 e NBR 6118:1978 e NBR 6118:2003 considerando o Fck, cobrimento, durabilidade, armaduras de pilares, modelos estruturais empregados e meio ambiente. A grande diferença entre a NB1-60 e a NBR 6118:2003 foi a questão da durabilidade. As armaduras nos pilares também aumentaram.

Foi dito então que todas as obras projetadas com a NB1-60, antes de 1980, com as características de Fck baixo, alto fator de água/cimento, baixa vibração, cobrimento de 1.5cm, atualmente são suspeitas da ocorrência de um acidente a menos que se prove o contrário. Daí a necessidade de uma manutenção preventiva e corretiva. Sugeriu-se que para obras com idade superior a 10 anos fosse feita uma inspeção a cada 5 anos e a respectiva manutenção. A primeira inspeção inicial de 5 anos ficaria a cargo da construtora.

Normas para inspeção e manutenção: NBR 5674:99 - Manutenção de Edifícios - Procedimentos NBR 14037:98 - Manual de operação, uso e manutenção de edifícios, conteúdo e recomendações para elaboração e apresentação NBR 13752:96 - Perícias de engenharia na construção civil IBAPE/SP - Norma de inspeção predial do IBAPE/SP - 2001.

Itens necessários numa lei de manutenção: - Periodicidade - Tratamento especial para obras públicas - Aplicação diferenciada para edificações de baixa renda - Procedimentos para evitar a indústria de laudos - Organismo responsável deve ter poder coercitivo - Atendimento as normas ABNT

Apresentou-se também a lei de Sitter, com a evolução dos custos X manutenção, comparando as fases de projeto, execução, manutenção preventiva e manutenção corretiva.

Foi tomada uma iniciativa para a criação de leis específicas para o problema através da reativação do projeto de lei da vereadora Luciana Azevedo e projeto de lei n. 802/2004 do deputado Augusto Coutinho.

O assunto do Areia Branca / manutenção de edificações está em debates públicos nos seguintes órgãos: - Câmara Municipal de Recife - Assembléia Legislativa de Pernambuco - Fórum Pernambuco do Século XXI

No final das apresentações, espaço destinado a perguntas, o colega eng. Marcos Carnaúba fez os seguintes questionamentos (coloco logo abaixo de cada pergunta a respectiva resposta):

a) Existia um vazamento da caixa d’água anterior ao acidente e vazamento de tubulação de esgoto?

Resposta: O vazamento da caixa d’água foi decorrente da trinca aparecida pelo recalque dos pilares. Após o estrondo do domingo iniciou o processo de fissuras e trincas e, na terça-feira, o vazamento ocorreu com intensidade. A caixa d’água é apoiada em 5 pilares com carga para cada um de, aproximadamente, 20 tf.

b) Havia indícios de recalques nas fundações e/ou problemas nas fundações?

R: Pelo exame da fundação que está lá presente e pelo solo, não se encontra, até a data atual, nenhum indício de recalque ou ruptura nas fundações. As sapatas estão totalmente íntegras.

c) Foi noticiado que na região do prédio havia uma área inundada, inclusive uma árvore em frente ao prédio morreu. Um biólogo relatou que este tipo de árvore morre devido à saturação de água.

R:. Não se tem informações seguras por isto. Segundo outros biólogos a resina que foi detectada na árvore indica a morte por envenenamento e não por saturação do solo.

d) Porque a caixa d’água superior foi bruscamente esvaziada e para onde foi esta água?

R: A caixa d’água superior foi esvaziada para aliviar cargas e foi solicitada pelos bombeiros e, ao que se sabe, a água escoou pela canalização normal.

e) O site do CREA/PE não mais atualiza as páginas da Internet. Por quê?

R: Talvez por problemas administrativos e burocráticos. Todas as informações que se tem notícia estão amplamente divulgadas e aqui relatadas. Será feito uma solicitação para que a página da internet seja prontamente atualizada.

f) Há notícias de que os edifícios vizinhos do Areia Branca estão inclinados e com desaprumos de até 40 cm. Este fato é verdadeiro?

Obs.: Neste caso, infelizmente, não houve mais tempo para resposta às perguntas.

Para finalizar, o eng. Romilde, que fez uma bela apresentação, comentou que, até a data atual, não se tem conclusões finais. Tudo o que foi dito foi mais um relato da situação ocorrida e dados que se obteve. A comissão formada pelo CREA/PE é constituída por dois engenheiros estruturais, dois engenheiros de mecânica dos solos e um de materiais.

O IBRACON ficou de disponibilizar o conteúdo das palestras em seu “site”. Assim, será possível ter acesso às fotos apresentadas da edificação com amostras do que restou dos pilares, trincas em vigas, parede da caixa d’água, alvenaria rompida, sapatas e outros itens apresentados.

Saudações
Nelson Covas - TQS - São Paulo