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Eng. Dácio Carvalho- Edição Nº. 31 - Agosto/10 Diretor Técnico da empresa Dácio Carvalho Soluções Estruturais, estabelecida em Fortaleza desde 1976. Há algum tempo, em memorável almoço com o engenheiro Nelson Covas, conversávamos a respeito do que as empresas estabelecidas há 20, 30 trinta anos no mercado, com relativo sucesso, precisariam fazer para manter-se à tona nos dias de hoje, em que a concorrência, em todos os setores, torna-se cada vez mais acirrada e, nem sempre, leal. O Nelson, na ocasião, relatou-me uma palestra a que assistira, meses antes, ministrada por Max Gehringher, justamente sobre esse tema e que, de tempos em tempos, me vem à mente quando me vejo diante de alguma situação relacionada ao tema. Max Gehringher é um conhecido palestrante que já foi empresário, inclusive presidente de multinacionais e que, um belo dia, “chutou o balde”, largou tudo e resolveu começar a falar de suas experiências em público. Hoje, além de palestrante dos mais renomados, ele tem uma crônica diária na rádio CBN, é autor de livros sobre temas empresariais e, durante os últimos tempos, apareceu no programa Fantástico, da Rede Globo, apresentando preciosas dicas sobre o dia-a-dia nas empresas. Após ouvir atentamente o relato do Nelson, falei-lhe que ele deveria escrever tudo aquilo que acabara de resumir para mim e publicar no TQSNews. Ele, com a velha desculpa da “falta de tempo”, devolveume a bola e fez-me prometer que eu o faria. E, como promessa é dívida, vou tentar pagá-la agora. Para isso, e para que se entenda o relato, precisaremos fazer algumas definições prévias sobre os personagens que compõem a história da palestra: os Serjões e os Jorginhos! Serjões são aqueles caras importantes na história da empresa pelo que fizeram no passado. Têm sala privada, ramal telefônico direto e, às vezes, até secretárias exclusivas. Hoje, porém, estão meio acomodados ou acomodados e meio, vivendo do passado e do crédito de alguma grande idéia ou contribuição dada à empresa que, em reconhecimento, os mantém com suas mordomias. Jorginhos são os garotões da era da Internet, sempre de jeans folgados, abaixo da linha da cintura, totalmente irreverentes e que, se permitirmos, nos chamarão de “tios”. Serginho que se preza nunca leu um livro inteiro na vida. Manual, então, nem pensar! Sabem 5% de quase tudo que é novo e 100% de nada, especialmente se estiver relacionado ao passado. São rápidos no gatilho, atitude e postura desleixadas e absoluto desprezo por tudo que se relacione ao passado. Costumam responder às nossas perguntas com um “hãããã?” O “hã”, todavia, nem sempre tem conotação de desrespeito, eles apenas não entendem como pode existir alguém que não sabe aquilo, especialmente se estiver relacionado à tecnologia e informática! Apresentadas as personagens, vamos à história! Segundo Gehringher, o grande segredo de qualquer empresa solidamente estabelecida mas que começa a temer a concorrência de novas empresas é extremamente simples: a dosagem adequada de Serjões e Jorginhos em seus quadros de funcionários, cargos de direção incluídos. Simples assim, disse ele para uma platéia boquiaberta e sem entender muito bem o que ele estava querendo dizer e onde queria chegar. Ele explicou, em seguida, que empresa alguma estabelecida no mercado, aparentemente sólida, sobreviverá muito tempo se mantiver somente Serjões em seus quadros. Por outro lado, as chances de novas empresas, formadas somente por Jorginhos, são praticamente nulas, embora possam incomodar bastante por algum tempo. Segundo ele, Jorginhos precisam ser criteriosa e continuamente admitidos nas empresas, pois trarão novas idéias a serem submetidas e absorvidas pelos Serjões mais espertos. Para descontrair a platéia, contou o exemplo de um Serjão que comprou uns livros sobre como usar o excel, começou a fazer os exercícios propostos e, logo, logo, ficou animadíssimo com suas primeiras planilhas, que não tinham lá um visual tão bonito como as dos livros, mas funcionavam e ficou fã incondicional da ferramenta. Pouco a pouco, foi incrementando suas planilhinhas, como carinhosamente as chamava, e começou a usar diferentes fontes, cercaduras nas células a até sombreado, pasmem! Mas um dia empacou querendo colocar cada coluna com uma cor diferente. Por sorte, um Jorginho ia passando na circulação e ele o chamou e lhe relatou seu “problema” e o Jorginho, a cada passagem, soltava um “hã?” e tentou explicar ao Serjão como fazer. Como este não conseguia, perdeu a paciência, passou para o outro lado da mesa, sem pedir permissão, naturalmente, e com dois ou três toques no teclado resolveu o “grande problema”. O Serjão ficou impressionado e lhe pediu que fizesse novamente, porém bem devagar, pois gostaria de aprender. Cumprida a tarefa, Jorginho continuou seu caminho pensando “que cara tapado, dá um tempo ...” enquanto o Serjão, maravilhado com sua multicolorida planilha, falou baixinho, “... puxa, que garoto fera ...”. Tempos depois, o Serjão tirou o mesmo Jorginho de uma enrascada numa tarefa em que este precisava consultar uns ábacos logarítmicos, “palavrões” de que o Jorginho nunca havia sequer ouvido falar, o que dizer de utilizá-los! Com isso, Gehringher, além de descontrair a platéia, pretendeu mostrar a importância do mix de Serjões e Jorginhos e o que poderia resultar da simbiose dos dois grupos. Por outro lado, alertou que havia alguns aspectos que precisavam ser vistos e adequadamente administrados, sob pena de a máquina emperrar, em vez de funcionar melhor e mais rapidamente. Por exemplo, admita-se que uma determinada empresa conseguiu um mix adequado de Serjões e Jorginhos. Porém, como evitar que depois de algum tempo os Serjões mais antenados, sob a real “ameaça” dos Jorginhos, não acabem se transformando em Jorjões e fiquem com a sensação de que os Jorginhos são descartáveis e que, por outro lado, os Jorginhos, após pouco tempo na empresa, comecem a sentir-se Serginhos e a tomar decisões sozinhos, prescindindo dos Serjões? Não é difícil de imaginar as consequências de tais posturas! Resumindo Os Serjões não precisam transformar- se em Jorjões da noite para o dia nem os Jorginhos podem agir como Serginhos após um mês de estágio ... O problema não é de fácil solução. Somente empresas que têm a sorte de já ter Jorjões de verdade em seus quadros (aqueles Serjões que estão sempre acompanhando a evolução tecnológica, que se mantêm up to date por iniciativa própria) compreenderão e solucionarão tudo no tempo e medida certos!
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