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Eng. A. C. Vasconcelos - Edição Nº. 21 - Julho/05 Com a pseudo-crise imobiliária, as construtoras precisam fazer de tudo para reduzir os custos para aumentar as possibilidades de venda. Com os juros elevados, uma construção pronta sem comprador representa um esvaziamento do pequeno lucro conseguido. Chega-se ao paradoxo de sacrificar até mesmo a segurança para conseguir alguma economia: projeto estrutural mais barato, desobediência às normas estruturais, encomenda do concreto pelo menor preço, e muitas outras providências. Reduzir a qualidade dos azulejos, nunca! Isto o comprador percebe e pode deixar de comprar o imóvel que escolheu... Pensei muito em encontrar um modo de resolver esse problema. Não se pode modificar o modo de pensar de um empresário. Não se consegue esclarecê-lo num curto prazo. Não se consegue modificar nossas normas. Qualquer tentativa nesse sentido é pura perda de tempo. Como tem sido sistemática a produção de concreto com resistência abaixo da especificada em projeto, urge tomar alguma providência. Uma das possibilidades é especificar no projeto a resistência média, no lugar da resistência característica, mesmo contra a opinião dos tecnologistas. Vamos tentar explicar. Quando se determina a resistência do concreto por meio de um número grande de corpos de prova (o que nunca se faz!), por exemplo, 100, já se pode considerar esse número suficiente para uma análise estatística. É de se esperar que dos 100 resultados de medida, 50 estejam abaixo da média (Grupo I) e os demais 50 estejam acima (Grupo II). Isto seria matematicamente correto para um número infinito de amostras. Praticamente 100 amostras já devem dar resultados próximos dos teóricos. Que confiança se pode ter ao tirar a média aritmética dos 100 resultados? Devemos ter receio dos resultados do Grupo I e confiar nos do Grupo II? O valor médio não pode fornecer confiança. Por isso, examinamos os resultados do Grupo I e separamos os 5 piores valores. Se nosso alvo era conseguir uma média de 30 MPa, isto significa que o Grupo I compreende concretos, digamos, de resistências entre 20 e 30 MPa (valores mais baixos do que 20 MPa devem ser interpretados com falhas grosseiras na confecção ou na medida). Por outro lado, os resultados do Grupo II compreende valores entre 30 e 40 MPa (valores esporádicos mais elevados do que 40 não devem ser cogitados). Devemos, portanto, considerar os resultados dentro da faixa de 20 a 40 MPa. Dentro dessa faixa, qual o valor confiável? Respondemos imediatamente que o valor extremo inferior é confiável, porque dos 50 resultados menores do que a média 30, nenhum está abaixo de 20. Prever uma média de 30 e só ter confiança no valor de 20 é um exagero. Descartando dos 50 valores do Grupo I os 5 piores resultados, sobram 45 valores dos quais o menor é confiável. Dos 100 resultados disponíveis temos os 50 do Grupo II mais os 45 valores remanescentes do Grupo I, perfazendo 95 resultados. Destes 95 valores, o menor de todos é confiável. Dependendo da variabilidade do conjunto (extensão da faixa que aqui adotamos de 20 a 40 MPa), o menor valor pode ser, digamos, 25 MPa. Dos 100 resultados, 95 estarão acima de 25. Estabelecemos que 25 é um valor confiável da resistência para a média de 30. Estatisticamente, isto corresponde a um “desvio padrão” de 3 MPa. Pelos estudos teóricos de estatística, a divisão da curva de probabilidades de freqüência em duas partes, uma de 5% de área, outra do restante de 95%, isso corresponde a um coeficiente calculado matematicamente, igual a 1,65. A distância entre o valor médio (30 MPa) e o valor 95% confiável vale 1,65 x 3 = 5 MPa. O valor confiável vale, portanto 30 - 5 = 25 MPa. Se for realizado um concreto com um controle excepcionalmente bom, é possível conseguir um desvio padrão de 2,4 MPa. Neste caso, a distância entre o mesmo valor médio (30 MPa) e o valor 95% confiável vale 1,65 x 2,4 = 4 MPa. Neste caso o valor confiável seria 30 - 4 = 26 MPa, não muito diferente de 25. Considerando que os concretos comprados de usinas possuem controles razoáveis, algumas usinas com controles mais perfeitos, a diferença entre as resistências médias e as resistências 95% confiáveis, não será muito menor do que 5 MPa. Se o projetista colocar em seu desenho a resistência média ao invés da resistência característica fck (nome convencionado para designar a resistência 95% confiável), esse valor será muito mais facilmente interpretado pelo construtor para julgar a qualidade do concreto executado. Os compradores mais evoluídos farão a conta valor médio - 5 Mpa e terão seu próprio julgamento. Os demais não aceitarão valores muito menores do que o valor médio e consultarão imediatamente o projetista, que saberá julgar a eficiência do resultado, levando em consideração o valor que ele introduziu em seus processamentos. As usinas continuarão a executar a mistura de acordo com o pedido, centrando suas intenções no valor médio, como sempre fazem. Cremos que essa simples providência resolverá a maior parte dos casos de resistências consideradas baixas. Até 5 MPa mais baixos do que a resistência encomendada não preocupará o projetista. Mais do que 5 MPa deixará o construtor apavorado e sua reação será tão grande que a usina começará a temer perda de clientes... É uma tentativa de consertar o que está errado, mesmo contra a vontade dos tecnologistas!!! E, por favor, não fiquem preocupados com diferenças de apenas 1 MPa.
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