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SVS, uma marca de credibilidade

Eng. Gino Schevano Filho - Edição Nº. 28 - Janeiro/09

Gino Schevano Filho mantém o escritório criado por Sergio Vieirada Silva

Desde pequeno, a trajetória de Gino Schevano Filho parecia se cruzar com a trajetória de Sérgio Vieira da Silva. As mães de ambos eram amigas de colégio e suas vidas voltaram a se cruzar mais tarde através dos filhos. Então, com escritório de cálculo, Sérgio recebeu Gino como estagiário. O relacionamento profissional culminaria na sociedade e principalmente numa grande amizade. Com o falecimento de Sérgio, Gino recebeu a incumbência de tocar a SVS, o que tem feito agora, cuidando também da área produtiva e da administração do escritório. “Herdeiro” de Sérgio Vieira da Silva, Gino dá continuidade ao trabalho do mestre, focado em desenvolvimento constante de tecnologia e projetos de qualidade.

Como foi seu encontro com Sérgio Vieira da Silva?

Quando estava no 3° ano da faculdade, comecei a estagiar no escritório do Sérgio Vieira e fui ficando até a minha formatura, sendo efetivado como engenheiro. Essa é uma história interessante. Nossas mães eram amigas quando solteiras, casaram-se e cada qual levou a sua vida. Nasceram os filhos e, por morarem no mesmo bairro, a amizade continuou. Na realidade o meu irmão mais velho estudou com o Sérgio no Colégio Arquidiocesano, portanto, eram companheiros na juventude.

Certo dia as nossas mães se encontraram e a Dona Júlia, mãe do Sérgio, perguntou a meu respeito. Minha mãe disse que cursava a faculdade de Engenharia e então ela disse: “O seu filho então vai trabalhar com o Sérgio”. Depois disso, ela falou com ele, e foi assim que comecei a estagiar em seu escritório.

Qual o momento mais marcante da sua história no escritório?

Foi na ocasião da minha formatura, o escritório era formado somente pelo Sérgio e por seu sócio Gérson Horschutz. Então o momento mais marcante de minha vida foi a minha efetivação. Eu seria o primeiro engenheiro a ser contratado pela empresa. Assim eu fui ficando, até meados de 1970, quando saí para trabalhar em outro escritório.

Você voltaria depois a trabalhar no escritório?

Eu voltei em 1977 e nessa época o escritório era formado pelo Sérgio e outro sócios. Eu tinha mantido um escritório próprio por algum tempo e nos anos 1980 resolvi novamente alçar vôo sozinho. Conversei com o Sérgio sobre minha saída e ele me convenceu a aguardar até o final do ano. Nesse período, ele combinou com os sócios dar-me uma participação no negócio. No entanto, eles acabaram saindo da sociedade e eu finalmente me tornei sócio do Sérgio. Assim, a sociedade que era para acontecer no passado finalmente se concretizou.

Vocês sempre trabalharam nesse escritório?

No passado, nosso escritório ficava em um edifício na avenida Paulista, ao lado do edifício Center 3, que sofreu um incêndio. Com isso as instalações foram danificadas pelos bombeiros. Na mesma ocasião, o Sérgio tinha essa casa, que estava ainda com um inquilino. Foi então que surgiu a idéia de montarmos o escritório aqui, no bairro onde nascemos e fomos criados. O Sérgio conversou com seus familiares e voltamos. E então começamos a rever os amigos do passado. Foi muito bom.

Quantos funcionários tem o escritório hoje?

Já teve época do escritório ter 60 funcionários. Nesse último ano, os escritórios cresceram muito, mas nós procuramos nos manter na casa dos 40 funcionários. Achamos que este é o número ideal. E passado o momento de boom, depois da crise, vimos que foi importante nos mantermos fiéis a esse limite.

E como foi perder o Sérgio em meio a esse momento?

Uma coisa é perder um sócio que cuidava da área administrativa. Outra é perder o Sérgio, que mais que um sócio, era um amigo. Foi um baque, muito desgastante. Não sabíamos se teríamos aceitação por parte dos clientes com a nova administração. Mas eles já sabiam que eu cuidava da área produtiva, e assim, o processo de transição foi muito menos traumático do que se imaginava. Por sua vez, o pessoal interno também ficou inseguro, mas com o tempo fomos normalizando a situação. Posteriormente veio o boom da construção. Vivemos um bom momento de crescimento no ano passado.

O escritório permanece com o nome SVS?

Certa vez, o Sérgio resolveu colocar as iniciais SVS para desmistificar o nome do escritório. E realmente ele conseguiu. Hoje a sigla é marcante, sendo reconhecida pelo expertise do escritório, porque sempre trabalhou direitinho. A SVS tem uma grande história. O Sérgio sempre foi um batalhador, um trabalhador, sempre estava à procura de novas técnicas. Ele foi pioneiro na adoção de vários sistemas para melhorar, tanto o aspecto tecnológico, como o gerenciamento do escritório.

A empresa tem uma história interessante na área da informática. Conte-nos como foi.

A SVS foi o primeiro escritório a aplicar o seu próprio sistema de informática, desenvolvido na época por Lincoln Greitsch, um dos sócios do escritório nos idos de 1978/79, sendo um dos primeiros a produzir desenhos por computador. Por esse motivo, mereceu até uma citação do professor Augusto Carlos de Vasconcelos em um dos seus livros. Em 1968, o primeiro computador HP - gráfico foi adquirido e, com isso, a SVS tornou-se pioneira em aplicações gráficas por computador no Brasil. Após anos de estudos e investimentos, em 1976, nasceu o primeiro software totalmente desenvolvido no departamento de processamento de dados no próprio escritório. A partir desta data, começou a produção em escala industrial dos desenhos de armação em folhas A1 e A10 e por 10 anos foi a única empresa a concretizar esse procedimento. Depois surgiram empresas, como a TQS. Hoje nós usamos o sistema TQS, mas ainda conservamos alguns módulos do sistema próprio.

A empresa também buscava avanços na tecnologia?

Ao mesmo tempo, a partir de 1970, a SVS passou a desenvolver os processos de racionalização da construção, adotando novos métodos construtivos e estudando materiais de construção alternativos, o que culminou na adoção de processos industrializados, com a Hindi-Companhia Brasileira de Habitações.

Que obras o senhor destacaria desse período?

Eu destacaria o projeto do Banco Central do Brasil. Outro que foi muito polêmico, mas cujo projeto arquitetônico e de cálculo considero muito bom é o Fórum Trabalhista.

Hoje em dia há espaço para mais inovações?

Hoje as construtoras estão mais preocupadas em tocar os projetos em andamento, utilizando os sistemas e equipamentos disponíveis. Com o aumento da demanda que aconteceu, produzir o planejado era mais importante do que investigar novos sistemas.

O custo ainda é o grande foco das construtoras?

Com certeza. As empresas querem uma previsão do consumo total do aço e concreto e algumas impõem cláusulas no contrato, de que o consumo não pode ter variações acima de um determinado nível. Se o engenheiro não tiver experiência para avaliar outros fatores que interferem nesse cálculo, pode ter problemas. Elas exigem esse número justamente para ajustar o orçamento o máximo possível, pois uma vez lançado o empreendimento, não dá para mexer mais em preço.

É uma grande responsabilidade?

É uma exigência considerável, muitas vezes com curto prazo para respostas. Além disso, o resultado depende de a obra ter algum problema ou passar por muitas modificações. Esses fatores devem ser previstos, e constar em contratos. Na SVS, temos por norma repassar todo o projeto antes de mandar para os clientes, verificando todos os itens, para que não haja brechas para surpresas, obviamente também atendendo ao desejo dos clientes com respeito ao consumo, sem impactar na estabilidade da obra.

Com o falecimento do Sérgio, foram feitas modificações da estrutura do escritório?

Tivemos de fortalecer as bases junto aos clientes mudando alguns aspectos de administração. A receptividade dos clientes foi muito boa, o que nos foi muito gratificante. Hoje temos 50 projetos em andamento, ainda um rescaldo do excelente momento por que passou o mercado imobiliário no ano passado. Procuramos nos manter dentro do mesmo tamanho, aproveitando os engenheiros que já estavam aqui dentro. É muito difícil formar um engenheiro, e isso não acontece de um dia para o outro. Procuramos valorizar o pessoal da casa. Teve muito escritório que cresceu para atender a demanda, na época da alta, e agora, tem de fazer uma triagem. Quem é bom acaba ficando.

Esse boom que ocorreu exigiu muito de todo o setor. O senhor acha que isso foi bom?

O que aconteceu é que a principal exigência de todos dizia respeito ao prazo, e por conta disso muitas etapas foram feitas na correria. Isso não pode valer para a área de estruturas. A cadeia ficou muito inchada e o pessoal sem muita experiência pode ter deixado passar alguma coisa. Isso só vai aparecer daqui a algum tempo. Por isso, na SVS, temos por norma verificar todos os itens, nada sai daqui sem que eu veja antes. Isso pode ser bom e ruim ao mesmo tempo, porque eu acabo centralizando um pouco o processo. Mas não tem jeito.

E como é o relacionamento com a concorrência?

No caso de São Paulo, a maioria dos escritórios tem clientes fixos. Todos sabem quem atende a quem. Quando um cliente liga para outro projetista, ele já pensa: “aconteceu alguma coisa”. Aqui mesmo na região da Saúde tem uma construtora, a Tarjab, que cresceu muito. Calculamos para ela há uns 15 anos. Para outra incorporadora, a Fresno, que tem a construtora Pentagonal, fazemos cálculo há 30 anos. E nesse período, sempre é o mesmo pessoal, mesma equipe de fundações e de instalações. Por isso dizemos que o nosso trabalho, a produção de um projeto de cálculo, está vinculado a um relacionamento de confiança, não é algo que nasce de um dia para o outro.

Essa é a marca da SVS?

O Sérgio queria que a SVS tivesse seu nome perpetuado, como um dos melhores nessa área. E isto está sendo feito à risca. O escritório continua mantendo o mesmo padrão tecnológico, de qualidade, a mesma maneira de trabalhar, de atender ao cliente. Um dos seus filhos trabalha no escritório na área administrativa, o outro é construtor. O Sérgio deixou um legado profissional muito grande para todos nós. Ele sempre dizia que ele tinha conseguido um substituto para ele e eu que arranjasse outro para mim. Acho que já preparava o caminho para que a SVS continuasse sua trajetória, e dizia isso sempre em tom de brincadeira.