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Eng. Archimino Cardoso de Athayde Neto - Edição Nº. 25 - Julho/07 Calculista buscou fórmula para manter produtividade dos colaboradores, com sistema próprio de avaliação e promoção. O eng. Archimino Cardoso de Athayde Neto graduou-se em 1970, na Universidade Federal do Pará (UFPA). Natural de Belém, foi lá que construiu seu currículo focado na área de cálculo estrutural, influenciado pelo entusiasmo do tio de um amigo com quem morava. Rapidamente engrenou curso de mestrado em engenharia de estruturas, pela Universidade de São Paulo, em São Carlos. Uma preocupação constante em seus projetos é com a arquitetura da estrutura e com a compatibilidade entre as demais interfaces. Situado fora do eixo industrializado de Rio-São Paulo, Archimino não vê diferenças nas demandas e exigências dos clientes. Otimista, acredita que tem havido maior proximidade entre arquitetos e engenheiros, mas ressalva a dificuldade dos construtores em reconhecer problemas de ordem executiva dos projetos. Ou seja, ao engenheiro calculista sempre cabe uma maior parte da responsabilidade pelo projeto. O senhor inseriu um método de análise de produção em seu escritório. Como funciona? Criamos uma sala para conferência e controle da produção dos projetos. A produção é medida por metro quadrado (m2) de obra projetada, e a produção dos funcionários é medida por número de pranchas prontas para entrega ao cliente. Isso permitiu uma avaliação do custo do cálculo por m2 de obra, bem como melhorou a capacidade produtiva de cada membro do escritório. Qual o benefício dessas medidas? Com os dados passamos a determinar a meta mensal de m2 de obra, necessária para alcançar o ponto de equilíbrio financeiro. Da produtividade do funcionário passamos a uma avaliação que pode resultar em afastamento ou o enquadramento do funcionário em um nível superior em termos de cargos e salários do escritório. Esta simples operação levou o escritório a aumentar a produção de 7.000 m2 para 23.000 m2 em média por mês. Levou-nos ainda a fazer substituições no quadro de nossos colaboradores e, mais recentemente, adquirir novas liberações do programa da TQS. O que o levou para a área de engenharia estrutural? Até a década de 1960, os edifícios construídos em Belém tinham seus projetos de cálculo executados no Rio de Janeiro ou em São Paulo. Ainda estudante, convivia com o tio de um colega - o engenheiro e professor Aderson Moreira da Rocha. Muito jovem, eu bisbilhotava conversas, participava de almoços e me encantava com aquele senhor que brincava de fazer mágicas e falava com entusiasmo da engenharia de estruturas. Pensava então “é isso aí que vou ser, calculista como ele”. Naturalmente, minha vida foi se encaminhando para essa área, a partir das disciplinas de graduação e dos estágios que eu fazia. Assim, foi-se definindo e realizando o meu desejo profissional de tornar-me calculista. Que projetos foram mais significativos em sua trajetória? Nosso escritório está hoje com 1.600 projetos executados, muitos de características especiais, como vãos grandes, balanços ousados, pré-fabricados, etc. O primeiro foi um edifício de 22 pavimentos, projetado em 1972. Em 1983, foi a vez do primeiro projeto de edifício em laje cogumelo. Logo depois veio o projeto de um edifício com sacada com 7.5 m de balanço, assim como a aplicação de cordoalha engraxada com laje protendida, concreto de alto desempenho. Enfim, os projetos que adotam inovações são os que ficam mais na memória. Efetuamos outro empreendimento com 40 pavimentos, uma novidade para a escala da cidade. Desde o início, já utilizávamos elementos finitos, programa Stardyne, com cartões perfurados em Belém e processados em Brasília. Na década de 1980, começaram a surgir os computadores PC e a aplicação do sistema SAP e, já nesta época, começamos a utilizar os primeiros softwares da TQS. Qual a marca que define o seu trabalho? Temos uma preocupação constante com a didática da apresentação, assim como com a arquitetura da estrutura. Também me preocupo muito com a compatibilização da estrutura e dos projetos complementares, pois é aí que surge o maior número de problemas. Temos de ter muito cuidado no desenvolvimento do projeto como um todo, pois as inovações tecnológicas e de materiais são constantes. Há muitas diferenças entre as obras executadas atualmente e aquelas de 10 ou 20 anos atrás. Por isso, é fundamental acompanhar essas transformações. Antes o vão médio das obras comuns era muito menor. Quando surgiam obras com grandes vãos, elas eram tratadas como projetos especiais e encaminhadas a escritórios de padrão técnico reconhecido, que, diga-se de passagem, eram poucos no Brasil. A resistência do concreto era bem menor, gerando peças estruturais mais robustas, as quais - juntamente com a aplicação de vigas sob quase todas as paredes - facilitavam a estabilização natural das torres. Os projetos e os processos ficaram mais complexos? A arquitetura era mais simples e não havia preocupação com vagas de garagem na projeção da torre. Isto gerava uma liberdade na disposição dos pilares. As estruturas resultavam naturalmente mais rígidas e a norma NB1-60, embora muito simples e pobre, ia satisfazendo a segurança das arquiteturas de então. O projeto era feito a mão, utilizando método de Cross ou pontos fixos, com diagramas de esforços de todas as vigas desenhados a lápis. Nessa época, era corrente a idéia de que para intitular-se calculista, era suficiente saber calcular laje, viga e pilar. Hoje, com a possibilidade de aplicação dos programas específicos para a área, a arquitetura tornou-se mais livre. O calculista passou a contar com uma poderosa ferramenta requerendo o conhecimento dos conceitos, mas sem a fastidiosa matemática correspondente. Por sua vez, as normas brasileiras tornaram- se eficientes e quantificaram a segurança com muito mais precisão. Ou seja, a engenharia evoluiu em todas as pontas. Mas esse avanço traz outras demandas de conhecimento, não? A utilização de softwares requer maior conhecimento conceitual do que o desenvolvimento matemático, permitindo que um maior número de engenheiros possa elaborar projetos estruturais corretos. O processo teve ainda o lado positivo de reduzir a incompatibilidade entre engenheiros e arquitetos. O momento exige que a cada dia os calculistas fiquem um pouco mais “arquitetos” e, da mesma forma, que os arquitetos adquiram lentamente os conceitos do delineamento estrutural. Que armadilhas técnicas estão mais evidentes hoje aos profissionais? As armadilhas, muitas vezes, atingem mais aos contratantes do que aos projetistas. Por exemplo, o desenvolvimento de projetos estruturais que ainda aplicam propósitos sumários (cálculo de laje sobre viga, viga sobre pilar, pilar sobre fundação que não recalca etc.), algo que no passado atendia razoavelmente as arquiteturas e, provavelmente, também a NB1 1960. Esta é uma armadilha que vai contra o contratante, por se tratar de uma prática antiga, com aspecto de experiência - apesar de levar projetos de custo aparentemente reduzido, resultam também na redução da segurança da obra. Outra armadilha é a crença de muitos em trabalhar sem o conhecimento e plena aplicação das normas técnicas. O construtor não costuma creditar alguns defeitos a procedimento inadequados no cálculo, assim como questões relacionadas à estabilidade dos edifícios - como infiltrações geradas por vazamentos nas conexões dos tubos da instalação hidro-sanitária, provocados por deformações da estrutura. Há ainda outros defeitos comuns como o desprendimento de lajotas de revestimento relacionadas à mobilidade excessiva da torre, entre outras tantas patologias que resultam em custo de pós-venda que, seguramente, excedem as diferenças de preços de projeto de calculistas mais preparados. Os programas de cálculo e detalhamento de estruturas podem também ser transformados em armadilhas, quando operados por pessoa que não tenha o conhecimento suficiente dos fenômenos da estabilidade e dimensionamento das estruturas. Vale ressaltar que existem programas que são postos no mercado em versões ainda pouco elaboradas, que por si só já constituem armadilhas. O que o senhor considera mais relevante e necessário em um profissional de estruturas? É fundamental que os profissionais detenham o domínio do conteúdo básico da teoria das estruturas, incluindo os sistemas de dimensionamento e o conhecimento das normas técnicas; o entendimento dos projetos complementares; o respeito à volumetria e aos detalhes do projeto arquitetônico. A capacidade de trabalhar com muita dedicação, concentração, comprometimento, e, sobretudo muito amor ao que faz. A disposição para permanecer estudando, reciclando conhecimentos e adaptando-se às novas tecnologias é intrínseca aos bons profissionais. Pelas características do Estado, há elementos que devem ser levados em conta em um projeto? Quais? Não há condições especiais, mas condições geológicas encontradas em muitas áreas, como nível de água quase superficial, sendo necessário evitar a presença de subsolos. Também existem espessas camadas de solo compressível, que requerem uma interação entre os projetos de estrutura e de fundações. Hoje o Estado está bastante sensível ao desenvolvimento e a Engenharia oferece um bom campo de trabalho. Houve uma queda na valorização dos profissionais? Ou há outros ângulos para esse problema? O curso de engenharia civil apresenta algumas disciplinas de aplicação científica, que também exercem enorme ação no desenvolvimento do raciocínio; fundamental para o exercício da profissão. Alguns estudantes desinformados se desestimulam ao achar que o curso é teórico e continuam buscando conceitos para aprovação com menor dedicação ao aprendizado. O produto final são profissionais apáticos, pouco perspicazes, sem o conhecimento necessário para o desempenho da engenharia civil. Esses profissionais normalmente se dedicam a obras de porte médio a pequeno e acabam sendo agentes da desvalorização do engenheiro civil. Os profissionais que acreditam na necessidade de acompanhar o curso acadêmico e continuam evoluindo em cursos pós-formatura, normalmente não passam por nenhuma desvalorização. Os profissionais que aceitam trabalhos mal pagos geram um patamar salarial muito baixo. Vou dar um exemplo: a Secretaria de Obras do Estado do Pará paga R$ 1.200,00 por mês para os engenheiros e mesmo assim, quanto tem concurso, aparecem sempre mais de 500 candidatos inscritos. Mas o Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura, que deveria abrir questão contra um salário profissional tão defasado, infelizmente, não faz nada. Como os profissionais modernos devem, a seu ver, agir diante do novo cenário profissional? Eles devem estudar muito, continuar acreditando no curso de graduação. O que parece apenas teoria, na verdade, é fundamental para o desenvolvimento da vida profissional do engenheiro civil. E assim, participar de cursos, colóquios, congressos, etc. se possível cursando o Mestrado, Doutorado, enfim, algum estágio, independente de ser ou não remunerado.
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