Prezados Colegas da Comunidade Devido ao interesse que o tema tem despertado e para maior esclarecimento dos participantes, vamos voltar ao assunto da interação entre os pilares, vigas e lajes de uma edificação usual, os elementos estruturais de fundação e o solo. Neste caso vamos abordar a questão da fundação em estacas, especificamente uma estaca sob o pilar. Este é um caso interessante, pois o solo deve ser, obrigatoriamente, considerado para dar condições de estabilidade a estrutura. Como já foi dito aqui nesta comunidade, este tipo de estrutura é, aparentemente, simples. Entretanto, cuidados especiais devem ser tomados, pois a análise conjunta entre a estrutura, estaca e presença do solo leva a considerações não muito intuitivas. A análise feita está mais preocupada com os esforços solicitantes em todo o conjunto estrutura + estaca. Com a obtenção de solicitações satisfatórias, o dimensionamento e o detalhamento estrutural se tornam possíveis. É evidente que também fizemos as verificações estruturais necessárias para a estrutura e a estaca ( estabilidade, capacidade admissível da estaca, seção transversal adequada etc.) O modelo abaixo é um modelo teórico. O principal objetivo é o de apresentar e raciocinar sobre este comportamento conjunto entre estrutura / fundações e solo. Além da estrutura de concreto armado em si, estamos também alimentando a sondagem do solo, características geométricas da estaca e critérios de projeto para determinação das vinculações elásticas (molas) na estaca representando o solo (teoria de Winkler). Portanto, todas as variáveis acima são bem conhecidas do engenheiro estrutural com exceção dos critérios para determinação das molas. Para as molas verticais adotamos o cálculo da capacidade de carga da estaca através do processo Aoki-Lopes, processo bem conhecido de todos. O método Aoki-Lopes também considera e calcula o recalque da estaca para um determinado carregamento considerando o efeito das demais estacas (grupo). Com o recalque e a carga ao longo da estaca, basta dividir uma grandeza pela outra que obtemos as molas verticais distribuídas. Para as molas horizontais a situação é mais indefinida. Temos dois processos básicos. Um deles depende da característica do material e o outro depende dos valores obtidos pelo SPT do terreno. Estamos adotando o método que depende do SPT, pois ele vai refletir melhor as variações das camadas do solo e medidas nas sondagens. Cabe aqui lembrar que, devido a imprecisão na obtenção destes valores, a representação do solo deve ser feita sempre com valores máximos e mínimos das grandezas e, posteriormente, adota-se uma envoltória final para o detalhamento. Estamos empregando aqui o novo sistema computacional desenvolvido pela TQS e em fase de implantação em alguns clientes: SISEs. Neste novo sistema, para determinação dos coeficientes de mola (verticais e horizontais), basta fornecer os elementos da fundação, sondagens e selecionar os critérios de cálculo (envolve conhecimentos geotécnicos); a partir daí a estrutura é automaticamente discretizada e as molas calculadas automaticamente e introduzidas no modelo. Descrição do projeto:Superestrutura de 4 pavimentos, com 4 pilares quadrados (30 x 30 cm), lajes de altura 10 cm, com quatro vigas de 30 x 40 cm, em cada pavimento (com exceção da planta de fundação, em alguns casos), vãos de 5m.
Dimensões típicas de cada pavimento:
Cargas consideradas nas lajes: ( 0,60 tf/m2: 0,25 [peso próprio] + 0.25 [perm.] + 0.1 [variav.]). Considerados também 4 (quatro) carregamentos de vento, com as seguintes características:
Sondagem:
Estaca: Tipo hélice contínua, adotaremos uma tensão admissível ?adm = 40 kgf/cm² e fator de segurança = 2.0. Comprimento de 7 m. Modelos Estudados:A partir dos dados fornecidos, foram verificadas as dimensões necessárias para as seguintes condições de fundação (3 soluções propostas):
Observe que, por se tratar de uma estrutura com simetria, nas duas direções, os resultados, apresentados aqui em uma direção (X), são análogos aos da outra direção (Y). A seguir, os detalhamentos, alguns comentários e os resultados obtidos, para cada condição. Esta mensagem, devido a sua extensão apresentará apenas a solução 1. Solução 1 - Blocos sobre 1 (uma) estaca, SEM vigas-baldrame entre os blocos:1.1) Coeficientes de Mola Sem MajoraçãoPara esta condição, os momentos fletores, oriundos da superestrutura, precisam ser absorvidos pela fundação – as estacas, visto que cada pilar está ligado diretamente com o seu devido elemento de fundação. Nestes termos, verificou-se a dimensão mínima destas estacas: Ø = 60 cm, para eliminar os avisos de capacidades de carga, tensões excedidas, deslocamentos limites, instabilidades da estrutura, etc. Daí a necessidade das estacas serem armadas, para combate aos esforços devidos às flexões, transmitidos às estacas através dos blocos de fundação, cujas armaduras também devem ser dimensionadas e detalhadas.
O pórtico espacial resultante, para este caso, será como o que segue abaixo, onde se observa a infra-estrutura discretizada e agregada à superestrutura (através de novos nós e vínculos elásticos), formando-se então um novo pórtico espacial - um modelo integrado e único – com a presença do efeito do solo:
Os principais resultados obtidos podem ser verificados graficamente, tanto na visualização do Pórtico espacial (esforços e deslocamentos), quanto nos desenhos que o SISEs, nos fornece, de forma concisa:
Deve-se notar que o momento fletor na estaca foi maior do que no pilar. Sem a colaboração da estaca a flexão, a estrutura não fica estável. As armaduras do pilares devem ter emendas com as armaduras das estacas. Não estamos estudando ainda os efeitos de segunda ordem do conjunto pilar + única estaca.
Observe pelo diagrama acima que o momento fletor máximo na estaca não está no topo e sim num ponto intermediário, igual a 594.9 tf*cm, que corresponderia a uma armadura de As = 11.23 cm² (14 Ø 10 mm). Portanto, sob o ponto de vista do concreto, a estaca passou, armada. Com esta magnitude de momentos fletor a estaca tem regiões de tração. Sob o ponto de vista do solo, a capacidade de carga da estaca atendeu plenamente. Algumas verificações simples sobre a estabilidade do modelo integrado (com a interação Solo- Estrutura):
Para estacas com diâmetros inferiores a Ø = 60 cm, não se consegue, através deste modelo, obterse como resultado uma estrutura estável. O sistema acusa coeficientes de Gama Z (?z) elevados, deslocamentos horizontais globais e entre pavimentos excessivos, etc. Portanto, sem elementos de travamento na fundação, necessita-se de estacas de diâmetro Ø = 60 cm, armaduras nas estacas e o comprimento destas armaduras em quase toda a estaca. Não estamos estudando aqui com profundidade os métodos construtivos para a execução desta armadura. 1.2) Coeficientes de Mola Aumentados em 10XConforme também já comentado, vamos apresentar abaixo os diagramas de momentos fletores no conjunto estrutura/fundação com os coeficientes de mola nas estacas multiplicados por 10 vezes:
A primeira observação a ser feita é que o aumento do vínculo elástico horizontal em 10 vezes não alterou significativamente os resultados de momentos fletores. Com o maior engastamento da estaca no solo, os momentos fletores na estaca se reduziram. Mesmo assim é necessária a armação nas estacas. Os momentos fletores na base do pilar aumentaram. 1.3) Pilar Articulado e Coeficientes de Mola NormaisMuitos colegas acham que simplesmente articular a base do pilar resolve o problema dos momentos fletores na estaca. Vamos apresentar abaixo o mesmo diagrama de momentos fletores para este caso.
No diagrama acima dá para notar que os momentos fletores positivos no pilares e na viga do primeiro pavimento do pórtico aumentaram e o que é o principal: os momentos fletores na estaca não foram eliminados. Devido a componente horizontal da força na base do pilar, os momentos fletores aparecem ao longo do fuste do pilar. Apenas no topo da estaca o momento fletor é nulo. O edifício também sofreu deslocamentos horizontais maiores e o Gama Z aumentou. Esta solução também não é uma boa solução. A estaca também necessita ser armada. Aproveitando a oportunidade, vale aqui lembrar também de outra observação interessante que, infelizmente, não é tão rara quanto se pensa: a passagem dos valores de cargas da estrutura para a fundação considerando apenas a carga vertical. Se a estrutura é engastada a rotação e a translação horizontal, a presença de momentos fletores e forças horizontais são fundamentais para o seu equilíbrio. Se a fundação não for projetada para tais solicitações, todo o conceito de projeto está deficiente com conseqüências imprevisíveis. 1.4) Estrutura Engastada ( sem fundação projetada)Observe os diagramas a seguir para este mesmo projeto, considerando as bases dos pilares com “engaste perfeito”.
Qual o tipo de fundação mais adequado que deveria ser considerado para se respeitar este “modelo”? Já vimos neste tópico que a estaca isolada não é uma das melhores soluções. Em mensagens posteriores vamos analisar outras possíveis soluções. Nelson Covas Categoria |

















