Home » TQS News » Consulta » Artigos » Experiência x criatividade
Experiência x criatividade

Eng. Ênio Padilha - Edição Nº. 27 - Julho/08

Se a única coisa importante que você tem para sustentar o seu curriculum vitae são muitos anos de experiência profissional, comece a se preocupar. Em 1986, quando eu me formei engenheiro, o meu grande desafio, a maior dificuldade que eu tinha para enfrentar o mercado, era justamente a falta de experiência profissional. Naquele tempo não ter experiência era quase como não ter um braço.

Oito anos depois, em 1994, em uma palestra para quase duzentos engenheiros (no Congresso Catarinense de Engenharia e Arquitetura, do qual fui coordenador) Décio da Silva, diretor presidente da WEG, foi categórico: “Nos dias de hoje”, disse ele, “toda experiência que importa é aquela adquirida nos últimos cinco anos. Qualquer coisa além desse tempo tem importância zero. Porque o que importa hoje é a capacidade que o profissional tem de desaprender. De substituir conhecimentos antigos e ultrapassados por conhecimentos novos e atualizados”.

A constatação de Décio da Silva era, sem dúvida, corretíssima. Mas o tempo, a tecnologia e a conseqüente globalização (não apenas da economia, mas da cultura, das artes, de tudo, enfim) trataram de reduzir esses “cinco anos” para quase nada. No mundo atual todo conhecimento baseado apenas na experiência conquistada pela repetição da tarefa perdeu valor e perdeu espaço para a inteligência e para a criatividade.

Tentar se manter no emprego ou no mercado apenas repetindo com perfeição receitas e fórmulas que sempre deram certo pode ser (e quase sempre é) o caminho mais curto para o fracasso.

A criatividade, que é a capacidade que uma pessoa tem de abordar um problema ou parte dele de maneira diferente da usual (e, portanto, sem se importar com as experiências anteriores), e a inteligência, que é justamente a capacidade que a pessoa tem de resolver problemas combinando conhecimentos (sem fazer uso da experiência) são hoje as mais poderosas armas que alguém pode ter na luta pela sobrevivência no emprego, no mercado e na vida.

É importante prestar atenção para os efeitos e consequências dessa transformação: o eixo do poder no mundo está mudando de posição. O lugar que, nas empresas, era ocupado pelo funcionário “cão fiel” e “burro de carga” está sendo conquistado pelo funcionário bem humorado, irreverente e criativo. As lideranças empresariais estão sendo conquistadas, cada vez mais, por pessoas mais jovens, porque é na juventude que a criatividade é mais exposta e a inteligência é mais valorizada.

Nunca é demais lembrar, para os que ainda insistem em defender a experiência como uma coisa muito importante, que os grandes gênios, como Einstein, Isaac Newton, Galileu Galilei e tantos outros fizeram suas grandes descobertas quando ainda eram extremamente jovens (vinte e poucos anos) e, portanto, não tinham quase nenhuma experiência.

Tinham, no entanto, juventude, ausência do medo de errar e irreverência frente às “verdades” estabelecidas.