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Editorial 11

Eng. Nelson Covas - Edição Nº. 11 - Fevereiro/99

Na condição de fornecedor de software da maioria das empresas de projeto estrutural do país, tenho tido, ultimamente, inúmeros contatos com clientes a respeito de um mesmo assunto: verificação ou auditoria de projetos.

É cada vez mais freqüente a contratação de uma outra empresa para verificação de um projeto existente. Os motivos que levam à contratação desta auditoria são os mais diversos: insegurança do contratante, problemas ocorridos na obra ( geralmente provocados pela execução inadequada), desconfiança de consumo exagerado de materiais, oferecimento de soluções alternativas, etc.

Esta idéia de verificação do projeto é uma antiga tese que defendo ardorosamente. Entretanto, a verificação que defendo é a verificação contratada “a priori”, obrigatória para certos projetos, executada com a contratação do projeto original, feita por empresa idônea e previamente classificada em função do porte do projeto, e baseada em procedimentos e critérios estabelecidos pelos orgãos representativos da classe.

Salvo raras exceções, o que está ocorrendo atualmente é sempre uma disputa acirrada e desgastante entre o projetista e o verificador, em função das opiniões divergentes sobre a concepção, análise e consideração de critérios que norteiam a elaboração dos projetos.

Quando a questão da auditoria é vinculada ao Código de Defesa do Consumidor, que praticamente converteu as Normas Brasileiras vigentes em leis perante as autoridades e a sociedade, o problema da verificação do projeto ganha um grau de complexidade ainda maior.

Além disto, temos os aspectos éticos envolvidos nesta verificação de projetos. Na maioria das situações, principalmente quando o verificador também atua na elaboração de projetos, é muito difícil estabelecer uma linha de ação que delimite claramente o que é ético e o que não é.

Tenho visto muitos colegas em situação de dificuldade para defender um projeto que, embora elaborado com técnicas consagradas há décadas, não atende a todas as prescrições da Norma. Quantos projetos já elaborados atendem à Norma completamente?. O que fazer neste caso?

Uma importante reunião foi realizada no Instituto de Engenharia de SP sobre o tema em questão no dia 11 de março de l999. Uma comissão de 10 membros foi formada para estudar o assunto com profundidade e propor procedimentos e recomendações aos colegas. Informarei neste jornal o andamento destes trabalhos.

As minhas recomendações aos clientes e colegas são: as normas assumiram muita importância e devem ser obedecidas, análises mais sofisticadas devem ser realizadas, procedimentos internos de verificação estabelecidos, soluções alternativas inovadoras estudadas, em busca do contínuo aprimoramento e da excelência na técnica de projetar.

E a remuneração adequada por estes trabalhos?. O cliente deve ser convencido da importância do projeto bem elaborado. Por que, atualmente, depois de surgir o problema, ele concorda em pagar uma verificação posterior e, eventualmente, um reforço estrutural sem questionar?. O trabalho de conscientização sobre a importância do projeto estrutural deve ser uma bandeira de todos visando os benefícios para a sociedade em geral.

A TQS sempre teve o compromisso e procurou colocar-se à frente dos clientes, oferecendo ferramentas computacionais avançadas e adequadas para a “moderna” técnica de projetar. Por mais esta razão é que sempre insisto com os clientes e amigos: utilizem os recursos mais avançados dos sistemas, freqüentem os cursos oferecidos, estudem soluções alternativas no projeto etc. Afinal de contas, a informática trouxe como principal benefício a possibilidade de melhoria da qualidade do projeto e maior competitividade para a empresa que sabe utilizar seus recursos adequadamente.